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Prestes a lançar 1º livro, Marcela Mc Gowan afirma: “Não há empoderamento sem falar de sexualidade feminina”

A ex-BBB e médica ginecologista fala sobre o livro Senta que nem moça e aponta tabus ainda presentes na sexualidade

atualizado 13/08/2021 16:09

Marcela McGowanFoto: Reprodução

Não há como falar de empoderamento feminino sem falar sobre sexualidade. É com essa visão que a ex-BBB e médica ginecologista, Marcela Mc Gowan lança seu primeiro livro, Senta que nem moça, que discute o tema e problemas estruturais da sociedade. A publicação está prevista para o dia 25/8 pela Editora Nacional. 

Por mais que as discussões sobre sexualidade já tenham avançado muito, o assunto ainda é um grande tabu. O livro pretende ser um manual descomplicado de sexualidade: “A ideia é ajudar a tratar do tema com a naturalidade que ele merece, colaborando para que amplie o conhecimento sobre o seu corpo, e também tire o melhor proveito do sexo, tomando todo cuidado necessário e agindo com mais propriedade no assunto”, afirma a autora.

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A obra traz um compilado de informações com foco nas mulheres: “Nosso prazer foi roubado ao longo dos anos, não permitiram que a gente falasse e compreendesse o assunto. Nossa sexualidade nos foi tirada. Caladas e silenciadas por tanto tempo”, posiciona-se Marcela Mc Gowan quando começa a descrever o manual.

Em uma entrevista para a coluna Pouca Vergonha, a autora revelou detalhes do que as leitoras podem esperar do livro, compartilhou sobre o processo de escrita e falou sobre passos futuros na carreira e vida pessoal. Das virgens às mulheres que estão na menopausa, sem heteronormatividade, toda e qualquer pessoa é contemplada com o manual. Confira.

O que as mulheres podem esperar da leitura do Senta que nem moça ?

O livro é um guia descomplicado sobre prazer e sexualidade. É um compilado de informações principalmente para as mulheres já que nosso prazer nos foi roubado ao longo dos anos. Hoje, o que vemos são tabus e desinformações, inclusive dentro da medicina. É um guia para esse processo de desconstruir a sexualidade da maneira errada que a gente aprendeu e poder reconstruir, para fazermos escolhas mais confiantes e termos mais autonomia sob os nossos corpos.

Qual público alvo será contemplado com a obra?

Serve tanto para quem quer desconstruir o que aprendeu sobre sexualidade e reconstruir de maneira positiva, quanto para quem está começando a vida sexual e está em busca de informações. Eu tentei trazer assuntos que não tem distinção falando em idade ou fases da vida, e que permeiam todas as pessoas. Abordei desde virgindade até falta de desejo em relacionamentos mais longos.

Atualmente, as mulheres sofrem muita pressão estética e isso acaba influenciando no prazer, na hora do sexo. Qual a dica para quem ainda tem alguns bloqueios em relação ao próprio corpo?

A pressão estética traz prejuízos em muitas áreas de nossa vida, e o prazer é mais uma delas. O ideal é se informar sobre o assunto para que isso te ajude a compreender os mecanismos de opressão que são a base dessa pressão e consiga desconstruir a ideia. Segundo ponto é entender que seu corpo não está aqui para deleite do outro ou para cumprir imposições sociais, ele é uma ferramenta que te possibilita todas as vivências maravilhosas, inclusive o prazer sexual, ao qual você tem todo direito. O processo de se aceitar e se entender passa por autoconhecimento.

Você aborda em seu Instagram algumas temáticas em relação a abuso sexual e educação. Como vê a relação entre esses temas?

A educação sexual é sem dúvidas uma das ferramentas mais poderosas e certeiras de combate ao abuso. A maior parte dessas violências acontece dentro de casa e com pessoas conhecidas da vítima, por isso é essencial que a educação sexual seja feita também na escola, a fim de garantir autonomia para crianças e adolescentes e cuidar de seus direitos sexuais e reprodutivos. A educação sexual tem esse papel de trazer essa informação, de trazer autonomia, mais conhecimento sobre seus limites, sobre seu corpo e o corpo do outro.

Apesar de avanços nas discussões sobre sexualidade, ainda existem tabus. Quais os principais?

São tantas crenças que a gente tem que desfazer. A primeira delas é o orgasmo com penetração. As mulheres ficam em busca disso como se isso pudesse validar algo, e é um grande mito. 

Outro tabu é a espontaneidade do sexo, que ele sempre vai acontecer de um jeito repentino como no início do relacionamento. E não é assim. É preciso conversar sobre a sexualidade. É como qualquer outro aspecto da sua vida, você tem que se comprometer.

E o campeão dos tabus é a masturbação feminina. Quando alguém fala a palavra todo mundo sai correndo. Ainda temos dificuldade em aceitar a ideia de uma mulher sentindo prazer sozinha. É algo realmente assustador para a sociedade.

E como podemos quebrar esses tabus?

Falar! Discutir! Falar sobre o assunto com naturalidade e frequência. Tudo que não é dito fica no espaço do imaginário que induz a gente a deduções e cria-se o que chamamos de tabu, que são conclusões não fundamentadas. Inclusive, muitas das mulheres que têm queixas sexuais se sentem sós e isoladas como se só elas tivessem alguma questão sexual na vida. E quando compartilhamos as aflições, a crença vai se dissipando.

Atualmente, vivemos um momento importante de empoderamento feminino. Nunca se falou tanto sobre o que as mulheres querem, não querem e o que gostam. Como esse tema tem ajudado as mulheres a se conhecerem e curtirem o autoprazer sem culpa?

Acho que as pessoas estão até cansadas de ouvir falar em empoderamento. Mas é necessário e urgente ocupar espaços que nos foram privados por muito tempo. A maior forma de controle que se teve dos corpos femininos foi através do controle da sexualidade, do papel da mulher como reprodutora e a partir daí foi-se perdendo lugar no espaço público.

Empoderamento para mim é olhar para o prazer e sexualidade feminina, falar sobre sexo do ponto de vista das mulheres. É isso que vai permitir que a gente consiga viver sem culpa.

Como foi o processo de escrita do Senta que nem moça? Quais os maiores desafios na jornada da escrita até a publicação?

O processo de escrita não foi tão simples e fácil como imaginei. Sempre tive facilidade em me comunicar e imaginei que a escrita seria assim. Tive uma preocupação grande com detalhes, em ser inclusiva, e foi algo que me demandou bastante atenção. Foi mais lento do que eu planejei e até começar a ver o livro tomando corpo e ficar satisfeita com a linguagem levou um tempo. Mas depois tudo se encaixou e foi gratificante. Foi um dos processos mais importantes da minha vida e eu encaro como um presente para mim e para todas as mulheres que eu puder alcançar através dele.

Nessa nova fase, com lançamento de livro, relacionamento com a cantora Luiza, o que esperar da Marcela para 2022? Há previsão de mais um livro à caminho?

Eu mudei muito minha visão sobre negócios. Penso em trabalhar mais nas minhas próprias coisas. Em 2020 e 2021, eu trabalhei bastante com parceria e publicidade e foi gostoso, mas entendi que quero trabalhar para mim e esse será meu maior foco no próximo ano. Eu acho que vem um novo livro sim, mas preciso de um tempinho. E eu e a Lu estamos cada dia mais próximas, firmes e conectadas. Estamos pensando no futuro, em filho e casamento. Acho que as coisas vão acabar se encaminhando para isso nos próximos anos.

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