Entrevista: conheça a Marcela Mc Gowan que o BBB20 não mostrou

Ao Metrópoles, uma das sisters mais importantes desta edição abre o jogo sobre vida pessoal e comenta erros e acertos no programa

atualizado 24/04/2020 20:40

Marcela, ex-bbb 20Reproduçõ/Instagram

Ao longo dos 78 dias em que esteve confinada no Big Brother Brasil, Marcela MC Gowan protagonizou uma série de momentos importantes. Em poucos meses, foi de favorita ao prêmio à cancelada nas redes sociais.

As bandeiras levantadas pela jovem médica nas primeiras semanas fizeram com que ela se destacasse até mesmo entre os participantes famosos, seguidos por uma legião de pessoas antes de entrarem no programa.

O que não impediu que, mais tarde, ela também fosse alvo de rejeição. Como, aliás, ocorreu com praticamente todos os outros brothers à certa altura.

Porém, se há uma participante que merece créditos pela rápida escalada de sucesso da edição é Marcela. Com a decisão de abrir o jogo sobre o teste de fidelidade tramado por parte dos homens, a paulistana não só alavancou a audiência logo nos primeiros dias, como introduziu temas relevantes e que nortearam o enredo da edição.

Bom para a Globo, que quebrou recordes mundiais da franquia. Melhor ainda para os telespectadores, que tiveram mais tempo de acompanhar o reality em quarentena e, consequentemente, puderam discutir temas relevantes a partir a dele.

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Às vésperas da final do BBB20, a 12ª eliminada do programa conversou com o Metrópoles e comentou sobre a militância feminista, o trabalho de empoderamento sexual de mulheres e a decisão de se assumir bissexual diante das câmeras.

Em um bate-papo franco, ela também fala sobre erros e acertos no programa, as críticas que recebeu fora da casa e o desejo de conciliar o trabalho com a vida pública.

Com a palavra, a Marcela Mc Gowan que o BBB20 não mostrou:

Você se inscreveu para o programa outras vezes. Sempre teve vontade de ser BBB?

Me inscrevi a primeira vez há mais ou menos 10 anos, por causa do prêmio em dinheiro. Participei da seleção, cheguei às últimas etapas e não deu certo. Isso me frustrou e comecei a sentir vontade de ir para viver a experiência. Fiquei com essa ideia na cabeça e me inscrevi outras duas vezes até ser chamada, em 2020. Desta vez, foi pra vivenciar mesmo, saber como é estar lá dentro.

E como essas temáticas feministas, de luta pela liberdade sexual e de direitos humanos passou a fazer parte da sua vida? Seu irmão trans tem participação nisso?

Nem sempre me considerei feminista. Venho amadurecendo todas as ideias progressistas há mais ou menos uns dois anos. Teve muito a ver com o movimento de humanização do parto, que eu conheci e me despertou um pouco para a opressão das mulheres. A partir daí, passei a estudar sobre sexualidade também, o que levou minha atenção à questão de gênero.

Acho que meu irmão teve participação no sentido de incentivar o estudo da sexualidade. Ele também me inspirou pela liberdade com que vive, e pela coragem diante das opressões que sofre.

Foi por isso que você direcionou a carreira para o prazer feminino?

Resolvi trabalhar com isso porque as queixas que chegavam no consultório eram muito comuns e frequentes. Percebi que as minhas pacientes precisavam passar por um entendimento geral não só sobre sobre sexo, mas sobre o corpo, empoderamento, feminismo, prazer.

Foquei nisso e acho que, hoje, é uma das coisas mais importantes da minha vida: levar informação, porque informação empodera. E nos ajuda a estarmos mais atentas ao nosso próprio prazer.

 

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O que você pretende fazer agora, que popularizou seu curso sobre sexualidade feminina e é uma médica famosa? Podemos esperar uma nova Laura Müller na TV ?

Pretendo continuar atuando como médica, mas, por enquanto, por meio de cursos, palestras… Quero usar a comunicação de uma maneira que eu consiga continuar na área. Adoraria algo no meio artístico que tivesse a ver com ele, com certeza seria maravilhoso (risos).

Você se assumiu bissexual na casa. Foi uma decisão segura ou isso te deixou com medo em algum momento?

Ser bissexual é complicado porque as pessoas não compreendem, acham que você não sabe exatamente quem é, ou quer ficar ficar com todo mundo que aparecer no caminho… Então, eu não queria falar sobre isso lá dentro, é um assunto delicado pra mim. Sempre tive dificuldades de me assumir assim, em parte pela profissão. Entretanto, surgiram várias conversas que acabaram nos levando ao assunto. E decidi falar.

Pensei: “É bom que Brasil todo saiba logo, assim não preciso explicar para mais ninguém depois”. Não estava tão segura, mas também não foi um grande problema. Depois que falei resolvi ficar feliz com isso, defender e usar esse espaço para falar sobre o assunto também.

Como foi se deparar, aqui fora, com a avaliação que o público teve da sua relação com o Babu?

Aceitei muito bem o que as pessoas me falaram sobre o Babu. Eu acho que, de fato, não dei oportunidade para ele dentro da casa. Tivemos boas trocas no começo e no final, mas no momento em que ele se aproximou dos meninos, ficou muito difícil para mim. Abri mão de conviver e não quis mais conversar, entender e ouvir.

O Tiago vem falando muito da importância de escolher bem alianças no programa. Teve alguém que te surpreendeu depois que você saiu do BBB? Que você assistiu e pensou: “Poxa, podia ter me aproximado mais dessa pessoa”?

Não, ninguém me surpreendeu depois que eu saí do BBB. Lá, eu acho que eu me aproximei das pessoas pelo coração, com quem ele se identificava, quem estava me fazendo bem e me fazia passar por essa experiência de forma tranquila e divertida.

O que eu vi aqui fora e que eu realmente não tinha percepção na casa foi que realmente me afastei da Thelma em determinado momento do jogo. E só reatamos um pouco mais pra frente. Fiquei triste de ver vídeos dela chateada e chorando.

 

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Na última semana, não houve jogo da discórdia, e sim uma dinâmica da qual você não teve oportunidade de participar, mas vai poder responder para gente: qual foi o momento que você mais se orgulha de ter vivido na casa?

Ah, me orgulho de eu e Gi termos tido a clareza que não precisávamos participar daquele jogo sujo dos meninos para ganhar alguma coisa ou para ir adiante no jogo. Eu me orgulho muito de nós duas termos defendido o que acreditávamos e de termos nos mantido íntegras.

Arrependimentos?

Acho que a questão de me distanciar da Thelma. E também de, a partir do relacionamento com o Daniel, fugir do jogo. Fiquei muito focada nele e nas sensações que eu estava tendo, de início de namoro, de conexão. Acho que pode ter me levado a ficar cega para o jogo e para as outras coisas que estavam acontecendo na casa.

Para você, por que essa edição foi especial e abordou tantos temas que, há um ano, foram rejeitados pelo público?

A edição de 2019 foi justamente o oposto, ninguém queria falar de militância. Este ano, houve todo um enredo que levou a isso. O plano dos meninos era muito pesado, então, as pessoas realmente se assustaram. E começamos a falar de feminismo, que sempre acaba trazendo outras discussões à tona, levantando debates…

Fora isso, teve a pandemia, a presença de influenciadores… O fato dos internautas estarem defendendo mais o que acreditam. Foi um combo, tudo contribuiu. Mas a fogueira, mesmo, foi o plano dos meninos.

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