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O sexo era bom, mas acabou: por que superar um término é tão difícil?
Especialista explica por que algumas pessoas sofrem mais após o fim de um relacionamento e quando exige atenção profissional
atualizado
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Se superar um término parece uma missão impossível, saiba que não é apenas impressão. O fim de uma relação pode mexer com o humor, a autoestima, o sono, os planos para o futuro e até a vida sexual. Segundo especialistas, a dor da separação tem bases emocionais, mas também biológicas: quando um relacionamento acaba, o cérebro precisa reaprender a funcionar sem uma presença que se tornou parte da rotina e do sistema de recompensa.
Segundo a psiquiatra Ana Caroline Santana, pós-graduada pelo Hospital Albert Einstein, a intensidade do sofrimento não depende necessariamente do tempo de duração da relação. O que realmente pesa é o espaço que aquela pessoa ocupava na vida emocional do parceiro.

“O sofrimento após um término não é proporcional ao tempo de relacionamento, mas ao quanto aquela pessoa estava integrada à tua identidade e ao teu sistema de recompensa”, explica. De acordo com a especialista, quando nos vinculamos afetivamente a alguém, o cérebro passa a associar essa presença a sentimentos de segurança, prazer e previsibilidade.
Por isso, algumas pessoas enfrentam mais dificuldades para seguir em frente. Históricos de apego ansioso, dependência emocional, baixa tolerância à frustração e experiências antigas de rejeição podem tornar a separação ainda mais dolorosa. “O cérebro não distingue bem dor nova de dor velha. Um término pode reativar sentimentos de rejeição e abandono de histórias muito anteriores”, afirma.
Apesar de ser um período difícil, sofrer após o fim de uma relação é considerado uma reação natural. “É o sistema nervoso processando uma perda, como um luto mesmo”, explica a psiquiatra. Tristeza, choro, angústia e dificuldade de concentração são respostas esperadas, especialmente nas primeiras semanas.
O problema surge quando esse sofrimento começa a comprometer a rotina por um período prolongado. Se a pessoa deixa de trabalhar, abandona o autocuidado, se afasta dos amigos ou não consegue retomar suas atividades após alguns meses, pode ser o momento de procurar ajuda especializada.
Impactos na autoestima e na vida sexual
Os efeitos de uma separação costumam atingir diferentes áreas da vida. A autoestima está entre as mais afetadas. Segundo Ana Caroline, muitas pessoas utilizam o olhar do parceiro como uma espécie de espelho para validar sua própria imagem. Quando a relação termina, é comum surgir uma sensação de insegurança e dificuldade de reconhecer o próprio valor.
O rompimento também pode provocar mudanças significativas na vida sexual. A perda do vínculo afetivo, as dúvidas sobre si mesmo e a necessidade de reconstruir a confiança podem influenciar diretamente o desejo e a forma como a pessoa se relaciona com a intimidade. Durante esse período, algumas pessoas relatam diminuição da libido, enquanto outras buscam novas experiências afetivas em uma tentativa de preencher o vazio deixado pelo término.

A especialista alerta, no entanto, que tentar amenizar a dor mergulhando imediatamente em outro relacionamento nem sempre é a melhor estratégia. “É contraindicado buscar anestesiar a dor com substâncias, novos relacionamentos imediatos ou trabalho compulsivo. O luto tem que ser processado”, ressalta.
Sono, ansiedade e rotina desregulados
Além das questões emocionais, o término pode afetar o funcionamento do organismo. A ansiedade costuma aumentar porque o cérebro perde uma referência importante de estabilidade e previsibilidade. Aquela pessoa que fazia parte dos planos, das conversas diárias e da rotina simplesmente deixa de estar presente.
O sono também costuma ser um dos primeiros afetados. “À noite, sem distração, o cérebro entra em modo de processamento intenso”, explica Ana Caroline. Isso pode resultar em insônia, pensamentos repetitivos e até pesadelos.
A rotina, por sua vez, precisa ser reorganizada. Programas, hábitos e compromissos que antes giravam em torno da relação precisam ser reconstruídos, o que exige tempo e adaptação emocional.
O que acontece no cérebro quando o coração é partido?
A ciência ajuda a explicar por que o sofrimento de uma separação parece tão intenso. Estudos de neuroimagem mostram que o cérebro de pessoas que passaram recentemente por uma rejeição amorosa apresenta atividade semelhante à observada em indivíduos em abstinência de drogas.
“A pessoa não está exagerando. Ela está, literalmente, em abstinência de uma substância que o próprio cérebro produzia na presença do outro”, afirma a psiquiatra. Isso acontece porque neurotransmissores ligados ao prazer e ao vínculo afetivo, como dopamina, ocitocina e vasopressina, sofrem alterações após o rompimento.
Estudos da antropóloga e pesquisadora Helen Fisher também identificaram que a rejeição amorosa ativa o córtex cingulado anterior, região cerebral associada ao processamento da dor física.

“Quando alguém diz que uma separação dói de verdade, isso faz todo sentido neurobiologicamente”, explica a especialista.
Como tornar a recuperação mais saudável?
Para enfrentar o processo de forma mais equilibrada, a principal recomendação é permitir-se viver o luto. Isso significa aceitar a tristeza e compreender que o sofrimento faz parte da recuperação emocional.
Além disso, Ana Caroline recomenda resgatar interesses pessoais que ficaram em segundo plano durante o relacionamento, fortalecer a identidade individual, praticar exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada e cuidar da qualidade do sono.
Por fim, ela destaca a importância da rede de apoio. Amigos, familiares e a psicoterapia podem ser fundamentais para atravessar esse momento de forma mais saudável.



























