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Mulheres apontam prática sexual comum no pornô e que elas detestam
Comum em filmes adultos, o ato de cuspir durante o sexo é visto por muitas mulheres como anti-higiênico e um verdadeiro “quebra-clima”
atualizado
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Se algumas práticas sexuais ganharam espaço na pornografia nos últimos anos, isso não significa necessariamente que elas sejam populares fora das telas. Um exemplo é o ato de cuspir durante o sexo, especialmente na boca ou no corpo da parceria — prática que aparece com frequência em vídeos pornôs, mas que muitas mulheres afirmam detestar na vida real.
Uma pesquisa do site de pornografia ética Sssh.com revelou que cuspir é um dos atos mais rejeitados pelo público feminino da plataforma. Segundo a fundadora Angie Rowntree, diversas usuárias relataram desconforto imediato ao ver cenas envolvendo saliva, principalmente quando o ato acontece sem contexto ou conexão entre os parceiros. Para muitas delas, a prática é vista como “nojenta”, “degradante” ou simplesmente um enorme anticlímax.

A discussão também expõe um contraste curioso entre fantasia e realidade. Enquanto alguns homens em fóruns on-line descrevem a prática como excitante ou divertida, muitas mulheres relatam enxergar o gesto como algo associado à humilhação, desrespeito ou falta de cuidado. Algumas afirmam que uma situação assim, sem consentimento claro, seria motivo suficiente para interromper o encontro — ou até o relacionamento.
Especialistas apontam que a reação negativa não está ligada apenas à higiene. A sexóloga Ana Paula Nascimento explica que a salirofilia é uma forma de fetichismo ou parafilia que se refere à excitação sexual que resulta do contato com substâncias consideradas “sujas” ou “impuras”, como fluidos corporais.
E é aí que entram o suor, a saliva e as lágrimas. “A salirofilia, como qualquer outra parafilia, é uma manifestação da diversidade da sexualidade humana. A chave para uma experiência saudável e positiva é garantir que todas as práticas sejam consensuais, seguras e comunicadas abertamente entre os parceiros”, aponta a sexóloga.
Ao mesmo tempo, profissionais da área reforçam que práticas consideradas tabu podem fazer parte da sexualidade de algumas pessoas quando acontecem de forma consensual, segura e desejada pelos envolvidos. A diferença, segundo especialistas em BDSM e comportamento sexual, está justamente no consentimento e no entendimento mútuo dos limites — algo que a pornografia nem sempre mostra de maneira clara.

Ana Paula acrescenta que a salirofilia é classificada como uma parafilia, nome dado a comportamentos sexuais considerados atípicos ou não convencionais. “Embora as parafilias possam variar amplamente em sua expressão e aceitação social, a salirofilia é reconhecida como uma forma de fetichismo.”
Além disso, explica a profissional, é importante ressaltar que a parafilia só é considerada um transtorno quando causa sofrimento significativo à pessoa ou prejudica outros.
Apesar disso, para aproveitar o fetiche, é importante tomar alguns cuidados, pois o contato com fluidos corporais pode aumentar o risco de transmissão de doenças infecciosas, incluindo infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).









