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Junior Lima diz ter feito terapia para lidar com sexualidade
O cantor Junior Lima comentou sobre precisar de terapia para lidar com os boatos de ser gay durante os anos 1990 e 2000
atualizado
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Junior Lima comentou sobre sua sexualidade e como as “fofocas” ao longo de sua carreira o afetaram. O cantor fez sucesso em dupla com a irmã, Sandy, nos anos 1990 e início dos 2000. Ele lembrou que, à época, a desconfiança se era ou não gay gerou bastante insegurança e afetou sua saúde mental. O músico disse que precisou lidar com o assunto com a terapia.
“Existiram muitos boatos em relação à minha sexualidade na minha adolescência. E isso, para mim, gerou uma série de coisas que eu não entendia, uma insegurança absurda. Por ser um homem, principalmente ali no final dos anos 1990, 2000, que era completamente diferente de hoje em dia, da consciência de hoje”, explicou, em participação no programa Saia Justa.
Junior afirmou que não tem problema com a fama de gay, e alegou não ter nenhum preconceito. No entanto, levou a questão para análise. “Era um período muito machista. Então, o que isso gerava em mim, e era sempre à base de fofoca, reflete até hoje. Imagina! 20 anos de análise e eu tive que peitar muita coisa.”

“Sempre fui um homem que viveu na arte, que viveu dançando, na música, compondo… É um ambiente extremamente feminino, porque estava o tempo todo com a minha mãe e irmã. Então, eu tive uma sensibilidade muito aflorada, era um homem simpático, preocupado com as mulheres ao meu entorno. E isso se voltava contra mim. Naquela época, principalmente”, acrescentou.
Os comentários do cantor viralizaram nas redes sociais, e várias pessoas se identificavam com o artista. O psicólogo e escritor Alexander Bez aponta que, quando falamos em sensibilidade masculina, é fundamental entender que isso não tem nada a ver com fraqueza ou orientação sexual, como infelizmente ainda é associado.
Para o profissional, o caso do Junior ilustra muito bem quanto a sensibilidade masculina ainda sofre com julgamentos.
“Ele foi vítima de boatos na adolescência simplesmente por ser um homem sensível, num período marcado por um machismo estrutural muito forte. Isso gerou inseguranças que ele mesmo relata carregar até hoje, mesmo após anos de terapia. Esse tipo de situação é comum, porque a sociedade ainda associa, de forma errada, sensibilidade à sexualidade, quando na verdade são coisas completamente distintas. Um homem pode ser hétero e sensível, uma coisa não anula a outra.”
Alexander acrescenta que homens sensíveis costumam ter uma percepção mais aguçada. Em geral, são mais criativos, conectados à arte, à cultura e, principalmente, mais presentes emocionalmente em seus relacionamentos. Apesar disso, são alvos de críticas e preconceitos, quase sempre vindos de pessoas despreparadas emocionalmente.
“A sensibilidade não vem de traumas, pelo contrário, ela é uma expressão da inteligência emocional e da capacidade de se conectar com o outro com mais humanidade. E, no fim das contas, é isso que a maioria das mulheres busca: alguém emocionalmente disponível, que saiba ouvir, acolher e se entregar”, encerra o profissional.










