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Homem que diz ter sido “escravo sexual” mentiu sobre morte do pai
Chirayu Rana usou licença remunerada obtida com a falsa alegação para preparar processo contra colega; ela a acusou de assédio sexual
atualizado
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O ex-banqueiro Chirayu Rana, de 35 anos, que move um processo contra a executiva Lorna Hajdini por suposto abuso sexual em que o teria feito de “escravo sexual”, teria mentido ao JPMorgan Chase sobre a morte do próprio pai para conseguir quase três meses de licença remunerada — período que, segundo apuração do jornal New York Post, teria sido usado para preparar a ação judicial contra a colega e a instituição financeira.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, Rana informou a seus superiores, em dezembro de 2024, que seu pai havia morrido e que precisaria se afastar para ficar com a família.
Com isso, acumulou diferentes tipos de licença, incluindo dias de afastamento por luto. No entanto, o pai, Chaitanya Rana, esta vivo e disse desconhecer a situação. “Não sei nada sobre isso. Ele não falou conosco”, declarou ao jornal norte-americano.

Ainda segundo o veículo, o ex-funcionário já trabalhava remotamente desde o fim de 2024, após relatar que o pai estaria gravemente doente. Entre março e maio do ano seguinte, ele teria utilizado uma série de licenças remuneradas — período em que uma primeira versão do processo foi elaborada e enviada à equipe jurídica do banco.
Um documento preliminar da ação afirmava que o pai de Rana havia falecido e que ele teria se deslocado para a casa da família, na Virgínia. Internamente, porém, a situação levantou suspeitas. “A empresa acreditava que ele estava lidando com questões pessoais, mas havia sinais de que ele tentava tirar vantagem do sistema”, disse uma fonte vinculada à instituição financeira.
A ação judicial foi protocolada apenas meses depois, em abril, no tribunal de Nova York, inicialmente sob anonimato. No processo, Rana acusa Hajdini, de 37 anos, de tê-lo coagido a manter relações sexuais, além de alegar uso de substâncias e ameaças à sua carreira.
O JPMorgan Chase e a executiva negam as acusações, e o caso segue em andamento na Justiça. Reportagens apontam que Rana não tinha relação hierárquica direta com a executiva dentro do banco.
Um organograma interno analisado pela imprensa indicaria que ambos respondiam a gestores diferentes, e que Hajdini não tinha subordinados diretos em sua área.

Antes da ação judicial, Rana já havia apresentado uma queixa interna, em maio de 2025, alegando assédio e discriminação. Dias depois, foi colocado em licença administrativa e deixou o banco cerca de três meses mais tarde.
A defesa do ex-banqueiro diz que ele tentou resolver o caso de forma privada por meses, acusando o banco de prolongar negociações sem chegar a um acordo. Segundo seu advogado, a decisão de levar o caso à Justiça ocorreu após “grande desgaste emocional”.
O caso ganhou ainda mais repercussão após o ressurgimento de uma publicação antiga na internet, atribuída a alguém com o mesmo nome de Rana, buscando orientação jurídica para processar um chefe, com situações semelhantes às apresentadas agora, embora envolvendo outra empresa.
