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Foco nelas: sim, você precisa pensar no orgasmo feminino no sexo
A lacuna do orgasmo para mulheres heterossexuais ainda é real. Segundo pesquisas, mulheres que transam com homens têm dificuldades no prazer
atualizado
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Quando se trata de sexo entre duas pessoas, atingir o orgasmo pode ser relativamente difícil. Isso ocorre especialmente se você for uma pessoa com vulva. Um novo estudo, publicado na revista Sexual Medicine pela Oxford University Press, descobriu que a taxa de orgasmo feminino durante o sexo variava de 46% a 58%. Já a taxa de orgasmo masculino era até 30% maior, variando de 70% a 85%.
O pesquisadores descobriram que o problema persiste em todas as faixas etárias, mas não em todas as sexualidades, o que corrobora outras evidências de que mulheres que fazem sexo com mulheres têm orgasmos com mais frequência.

Outra pesquisa, esta realizada no Brasil, pelo aplicativo de relacionamento Happn e pela marca brasileira de sex care Pantynova mostrou que menos da metade das mulheres relatam chegar ao orgasmo de forma consistente durante o sexo, enquanto mais de 70% dos homens afirmam o mesmo.
A diferença se torna ainda mais evidente quando comparamos as experiências solo: enquanto mais de 80% das mulheres dizem sempre atingir o clímax na masturbação, apenas 35% relatam chegar lá durante o sexo com um parceiro. A pesquisa também revelou que, em média, 7% das mulheres nunca tiveram um orgasmo.
Não à toa, existe um termo para isso: a Lacuna do Orgasmo, às vezes chamada de Lacuna do Prazer, termo cunhado no início dos anos 2000 para descrever a diferença na frequência de orgasmos alcançados durante o sexo entre homens e mulheres cis.
Mas, por que isso ocorre?
Antes de começarmos, uma breve ressalva: o orgasmo nem sempre precisa ser o objetivo final do sexo, para nenhum dos parceiros. Outro ponto a observar é que atingir o orgasmo apenas com a penetração é bastante incomum.
Se você tem dificuldade em atingir o clímax de forma geral, o melhor a fazer é começar aprendendo a ter orgasmos sozinha através da masturbação. Depois de conseguir atingir o clímax facilmente sozinha, você achará muito mais fácil ter momentos prazerosos com um parceiro.

A psicóloga e sexóloga Ana Paula Nascimento aponta que as pessoas ainda foram educadas dentro de uma cultura falocêntrica, colocando a penetração no centro da relação sexual. “Os filmes, a pornografia e até a forma como se fala sobre o sexo reforçam ainda essa ideia de que a penetração é o ápice, só que, biologicamente, a maior parte das mulheres não chega ao orgasmo apenas com penetração vaginal”, comenta.
Já o ginecologista César Patez apontou que esse “gap” pode estar relacionado a fatores educacionais e valores, estresse, problemas de autoestima, imagem corporal, falta de conhecimento do próprio corpo, rotina e falta de comunicação com o parceiro, entre outros.
O profissional aponta, ainda, que a masturbação é vista como um “caminho mais seguro” para mulheres chegarem ao orgasmo por que o estímulo é direcionado. “Isso ocorre devido ao controle do estímulo ser total, permitindo que se concentrem em zonas erógenas mais sensíveis, principalmente; e não sofre efeitos de fatores externos, como preocupação de agradar o parceiro”, explica.
Para o profissional, a Lacuna do Orgasmo só pode ser diminuída com o diálogo, caminho central que separa as mulheres do próprio prazer. “A comunicação com a parceria do que está bom ou não é essencial. É possível ir a médicos especializados e analisar questões hormonais específicas, também.”
























