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Fazer muito sexo pode causar infecção urinária? Médico responde
Entenda por que fazer sexo pode favorecer infecções urinárias e quais hábitos ajudam a reduzir o risco no dia a dia
atualizado
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A infecção urinária é uma queixa comum entre mulheres e, em muitos casos, aparece logo após a relação sexual. Mas, afinal, o sexo pode realmente ser um fator de risco? Segundo o ginecologista César Patez, a resposta é sim, embora o cenário envolva diferentes fatores.
De acordo com o especialista, o ato sexual pode facilitar a entrada de bactérias no trato urinário.
“Durante o ato sexual, o movimento e o atrito na região íntima facilitam a migração de bactérias que normalmente vivem na pele e ao redor do ânus, principalmente a Escherichia coli, para a uretra. Como a uretra feminina é curta e muito próxima da vagina e do ânus, esse trajeto é rápido”, explica.

Uma vez na uretra, essas bactérias podem alcançar a bexiga e se multiplicar, provocando a infecção. Ele também destaca que o atrito pode causar pequenas irritações na região, favorecendo ainda mais esse processo.
Como evitar a infecção e mesmo assim ter uma vida sexual ativa?
Apesar disso, existem medidas simples que ajudam a reduzir significativamente o risco.
“O mais conhecido e importante é urinar logo após a relação sexual. Esse simples hábito ajuda a ‘lavar’ a uretra, eliminando possíveis bactérias”, orienta. Além disso, manter uma boa hidratação ao longo do dia contribui para a limpeza natural do trato urinário.
A higiene íntima também deve ser equilibrada: “Lavar a região com água e sabonete íntimo suave já é suficiente. Duchas vaginais devem ser evitadas, porque alteram a flora vaginal e podem aumentar o risco de infecção”, completa.
Outros elementos também entram na conta, como a lubrificação durante o sexo e até o tipo de contraceptivo utilizado.
Relações com muito atrito, especialmente em casos de ressecamento vaginal, podem aumentar o risco de microlesões e facilitar a entrada de bactérias. Já o uso de espermicidas, em algumas mulheres, pode alterar a flora vaginal e favorecer infecções.
O médico ressalta ainda que nem toda infecção urinária está diretamente ligada ao sexo. “O ato sexual é, muitas vezes, um gatilho, no entanto, existem diversos fatores associados”, afirma. Entre eles estão a predisposição individual, alterações hormonais — como na menopausa —, baixa ingestão de líquidos, hábitos de higiene inadequados e até o uso frequente de roupas muito apertadas.
Por isso, quando o problema se torna recorrente, o ideal é ir além do tratamento pontual. “Não é apenas tratar cada episódio isoladamente, mas investigar o contexto como um todo. Em alguns casos, é necessário um plano preventivo mais estruturado”, conclui o especialista.
























