Antidepressivos: classe ISRS é a mais propensa a causar efeitos na libido
Psicólogo revela como antidepressivos que atuam na serotonina podem afetar função sexual e alerta para riscos de suspenção por conta própria

Não é difícil encontrar pessoas que relatam queda na libido e dificuldades para chegar ao orgasmo após iniciarem o uso de antidepressivos. Algumas classes utilizadas na prática clínica, principalmente aqueles que atuam na ação da serotonina (ISRS), podem interferir diretamente em circuitos cerebrais ligados ao desejo e à excitação.
Vale ressaltar, porém, que o impacto pode variar em diferentes casos.

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Caíque Sousa, docente de psicologia, destaca que os antidepressivos ISRS são justamente os mais propensos a causar reflexos na vida sexual, por agirem intensamente na via serotoninérgica.
“Os efeitos adversos mais frequentes são a queda do desejo (libido), a dificuldade de excitação, o atraso ejaculatório, a dificuldade para atingir o orgasmo e, em alguns casos, a anorgasmia (incapacidade de chegar ao clímax”, comenta.
Além desses sintomas, o especialista cita que, em homens, pode haver também quadros de disfunção erétil e, em mulheres, observa-se com frequência a redução da lubrificação vaginal e diminuição da sensibilidade.
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Segundo Sousa, a principal recomendação ao notar as alterações é jamais suspender ou mudar a medicação por contra própria. Nesse caso, o ideal é conversar abertamente com o médico responsável pelo tratamento.

“Antidepressivos são fundamentais para salvar a saúde mental, e existem diversas estratégias clínicas seguras e eficazes para conduzir esse efeito colateral. O profissional pode ajustar a dosagem, trocar a substância por um antidepressivo com menor risco de disfunção sexual ou, dependendo da situação de cada paciente, associar uma segunda medicação para contornar o problema de forma individualizada”, alerta o coordenador do curso de psicologia do Centro Universitário Módulo.
Por último, o profissional desvenda uma dúvida comum relacionada ao desaparecimento dos efeitos em caso de suspenção do remédio: “Na grande maioria das vezes, a disfunção sexual melhora e desaparece após a suspensão orientada ou a troca do medicamento”.
Essa recuperação imediata, porém, não é uma garantia para todos os pacientes e, por isso, tanto o início quanto a manutenção do tratamento devem ser feitas com acompanhamento.















