
Paulo CappelliColunas

Relatório do PL da Dosimetria resgata defesa de anistia por Lula e PT
Senador Esperidião Amin menciona votos de Lula e posição do PT na Constituinte ao tratar da possibilidade de anistia para crimes políticos
atualizado
Compartilhar notícia

Relator do Projeto de Lei da Dosimetria, o senador Esperidião Amin (PP) cita em seu parecer divulgado nesta quarta-feira (17/12) votos do presidente Lula e posição histórica do PT na Assembleia Nacional Constituinte para tratar da possibilidade de anistia para crimes políticos no ordenamento jurídico brasileiro.
Ao contextualizar o debate constitucional, o parlamentar recorda que, em 4 de agosto de 1988, a Constituinte analisou proposta para impedir a concessão de anistia a crimes contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito, rejeitada pelo plenário.
“A emenda [apresentada pelo então deputado Carlos Alberto Caó], contudo, foi rejeitada, mantendo-se a anistia como uma faculdade política, disponível em momentos excepcionais para assegurar a estabilidade social”, registra o parecer.
Ao listar os parlamentares que votaram contra a vedação da anistia, o relator menciona lideranças que viriam a ocupar a Presidência da República. “Entre os constituintes que votaram contra a vedação da anistia para crimes políticos, figuram nomes como os de Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, entre outros proeminentes líderes políticos da época”, diz o documento.
O texto também recupera declaração de voto apresentada pela bancada do PT durante a votação do então artigo 6º do projeto constitucional. Segundo o documento, “a bancada do PT, embora votando favoravelmente ao artigo 6º, entende como equivocada a classificação como ‘crime inafiançável e imprescritível’ a ação de grupos armados contra a ‘ordem constitucional e o Estado Democrático’, de forma absolutamente indiferenciada”.
Na declaração reproduzida, os parlamentares petistas estabeleceram distinções entre diferentes tipos de ação política. “Consideram fundamentalmente distintas a ação golpista de grupilhos militares a serviço da burguesia e do imperialismo de outro tipo de ação, da ação de amplas massas populares, ainda que também se utilizando de armas, contra a opressão e a exploração”, afirma o texto citado no parecer.
O relatório de Amin também rejeita a equiparação entre esses contextos. “A revolta das massas esmagadas e em luta por sua libertação de maneira nenhuma pode ser equiparada ao golpismo das classes dominantes contra o povo”, aponta trecho do parecer.






