
Paulo CappelliColunas

PRF demite agente envolvido em esquema de propina em Minas Gerais
Demissão foi aplicada após processo que apurou esquema de propina envolvendo servidores da PRF em rodovias do Triângulo Mineiro
atualizado
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O policial rodoviário federal Marco Antônio Domingues foi demitido do cargo pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) por envolvimento em um esquema de cobrança de propina nas rodovias do Triângulo Mineiro. A penalidade foi oficializada na quarta-feira (18/2) após a conclusão de processo administrativo que apontou o uso da função para obtenção de vantagens pessoais, em prejuízo da dignidade da função pública, além da prática de corrupção e ato de improbidade administrativa.
Com a decisão, Domingues foi desligado dos quadros da Polícia Rodoviária Federal e perdeu direitos vinculados ao cargo, como remuneração, porte funcional e prerrogativas da função. Ele foi um dos alvos da Operação Domiciano, investigação conduzida pelo Ministério Público Federal que apurou um esquema de cobrança de propina envolvendo servidores da PRF em rodovias do Triângulo Mineiro.
Deflagrada em 2017, a operação resultou na prisão de 15 agentes suspeitos de integrar o esquema. À época, as investigações apontaram que policiais abordavam motoristas e exigiam dinheiro para deixar de aplicar multas, evitar a apreensão de veículos ou não conduzir os condutores à delegacia.
No caso de Domingues, a Justiça impôs pena de três anos de reclusão, posteriormente substituída por penas restritivas de direitos, como prestação pecuniária e prestação de serviços à comunidade, além da determinação de perda do cargo público na esfera penal. Ele também foi alvo de outros processos administrativos disciplinares relacionados aos mesmos fatos investigados na operação.
Segundo os autos, Domingues foi o primeiro entre os investigados a ser condenado pelo crime de concussão. Ficou comprovado que ele exigiu R$ 1 mil de um motorista que estava com a carteira de habilitação suspensa. O condutor acabou entregando parte do valor. A sentença considerou depoimentos de testemunhas e registros do sistema interno da PRF, que demonstraram a abordagem do agente na ocorrência.
Procurada, a PRF não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.





