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Paulo Cappelli

“Presidente do BC já falou da nossa casa”, disse Vorcaro à namorada

Conversa obtida pela Polícia Federal menciona comentário atribuído a Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central

05/03/2026 16:21, atualizado 11/03/2026 15:37
Vinícius Schmidt/Metrópoles
imagem colorida presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparece a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em mensagens à namorada, Martha Graeff, que o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comentou sobre um imóvel do casal em Miami.

No diálogo, datado de 12 de abril de 2024, Vorcaro relata à companheira: “Acredita que o presidente do Bacen já falou da nossa casa”. Em seguida, escreve apenas “Banco Central”.

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Daniel Vorcaro cm a ex-namorada, Martha Graeff
Jair Bolsonaro, então presidente da República, aperta a mão de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em 2019
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Campos Neto tem mandato até 31 de dezembro de 2024
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Campos Neto tem mandato até 31 de dezembro de 2024

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Daniel Vorcaro cm a ex-namorada, Martha Graeff
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Daniel Vorcaro cm a ex-namorada, Martha Graeff

Rerodução / Redes sociais
Jair Bolsonaro, então presidente da República, aperta a mão de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em 2019
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Jair Bolsonaro, então presidente da República, aperta a mão de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em 2019

Marcos Corrêa/PR
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Surpresa, Martha pergunta se ele se refere ao imóvel nos Estados Unidos. “Da casa de Miami? Como ele sabe?”, questionou. O banqueiro respondeu que o comentário teria ocorrido “lá dentro do Banco Central”, mas minimizou a situação. “Nada demais. Só te dizendo. Todo mundo fica sabendo tudo hoje”, escreveu.

Na sequência, Martha demonstra preocupação e pergunta se o fato poderia prejudicá-lo. Vorcaro responde: “Não. Zero. Agora virou irrelevante”.

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Roberto Campos Neto foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para comandar o Banco Central no período entre 2019 e janeiro de 2025.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT) apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central no caso do Banco Master.

Esquema com a cúpula do Banco Central

As mensagens integram um conjunto de elementos reunidos pela PF e mencionados em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontam para um suposto esquema de corrupção e tráfico de influência dentro do Banco Central do Brasil durante a gestão de Campos Neto. Segundo as investigações, a atuação de servidores teria contribuído para evitar a falência do Banco Master.

Em despacho que determinou medidas contra os investigados Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, o ministro André Mendonça, do STF, relata que diretores do Banco Central teriam prestado “consultoria informal” ao grupo de Vorcaro.

As investigações apontam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana revisavam documentos do Banco Master, sugeriam abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com o Banco Central, forneciam informações estratégicas e atuavam como “interlocutores internos” dos interesses da instituição dentro da autarquia.

Paulo Sérgio Neves de Souza comandou a Diretoria de Fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, período em que Vorcaro recebeu autorização para adquirir o Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. À época, o Banco Central era presidido por Campos Neto, indicado ao cargo pelo então presidente Jair Bolsonaro.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou nesta quarta-feira (4/3) que apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central no caso do Banco Master.