Paulo Cappelli

Petrobras: Peru vê suspeita de corrupção em contrato de R$ 9 bilhões

Governo do Peru levanta suspeita sobre contrato de R$ 9 bilhões da Petrobras e pede acesso a documentos nos Estados Unidos

atualizado

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Terminal Terrestre da Petrobras em Brasília, armazena e distribui produtos derivados do petróleo para as companhias distribuidoras da região. Tanques de armazenagem em distribuidora de combustíveis após reajuste no preço dos derivados de petróleo
1 de 1 Terminal Terrestre da Petrobras em Brasília, armazena e distribui produtos derivados do petróleo para as companhias distribuidoras da região. Tanques de armazenagem em distribuidora de combustíveis após reajuste no preço dos derivados de petróleo - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Um contrato de US$ 1,8 bilhão [cerca de R$ 9 milhões] da Petrobras, firmado em 2025, foi citado pelo governo do Peru à Justiça dos EUA em uma investigação que aponta movimentações suspeitas envolvendo a prefeitura da capital peruana e empreiteiras brasileiras em um esquema de corrupção de concessões rodoviárias. O caso ficou conhecido como “Rutas de Lima”.

Os investigadores apuram se houve pagamento de propina e financiamento ilegal de campanhas eleitorais em troca de contratações, além de possíveis operações de lavagem de dinheiro. O contrato da Petrobras foi firmado com as empresas Tenenge e EGTC Infra, controlada pela Queiroz Galvão.

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No documento obtido pela coluna, um ex-dirigente da Odebrecht no Peru é citado por estar envolvido em movimentações de alto valor consideradas suspeitas. Segundo o texto, as transferências ocorreram em período próximo à assinatura de um contrato bilionário envolvendo a Petrobras, em outubro de 2025.

“Os registros produzidos até o momento expõem uma rápida rotatividade de quase US$ 700 mil entre Pereira Neto, ex-gerente geral da Rutas, e sua suposta entidade de fachada, Pyrum”, diz o documento.

“Isso inclui um pagamento direto ao co-conspirador Barata, CEO da Odebrecht no Peru à época em que a concessão da Rutas foi outorgada, um mês antes de a empresa de Pereira Neto firmar um contrato com a Petrobras no valor de US$ 1,8 bilhão, concedido em outubro de 2025 ao lado de outra afiliada da Odebrecht”.

O empresário brasileiro Ricardo Pereira Neto é controlador da EGTC Infra, uma das empresas citadas pelo governo peruano à Justiça dos EUA. Uma das parceiras mais constantes da companhia é a Tenenge (unidade de engenharia industrial da Novonor, antiga Odebrecht), que também tem parte no contrato com a Petrobras.

Acesso a dados bancários

O documento sustenta ainda que os dados apontam para a continuidade das práticas investigadas mesmo após a revelação do esquema no Peru. “Esta evidência demonstra a continuidade da arquitetura de pagamentos da rede corrupta muito depois de a corrupção ter se tornado pública”.

As informações integram um pedido do governo peruano para obter acesso a documentos e dados bancários nos Estados Unidos. Caso a solicitação seja atendida, o material será utilizado em processos criminais em andamento no Peru relacionados ao caso Rutas de Lima.

Odebrecht se manifesta

Após a veiculação da matéria, a empresa Odebrecht se pronunciou por meio de nota:

“As ilações do suposto pedido de investigação vindo do Peru, veiculadas no artigo, são totalmente desprovidas de qualquer fundamento.

A Odebrecht nega veementemente que tenha existido qualquer irregularidade nos procedimentos licitatórios e contratos assinados recentemente com a Petrobras.

Os dois executivos mencionados na matéria nunca atuaram em contratos com Petrobras e há muito tempo não fazem parte da Odebrecht.

Da mesma forma, não existe qualquer nexo entre uma concessionária de rodovias no Peru, denominada de Rutas de Lima – cujo controle foi vendido pela Odebrecht em 2016 a investidores canadenses – e contratos assinados com a Petrobras em 2025.

Importante indicar que atualmente existem litígios internacionais bilionários movidos pela concessionaria Rutas de Lima contra o Estado peruano por atos ilegais perpretados contra o projeto, o que estaria motivando represálias.

Caso eventualmente se confirme que o Governo do Peru produziu tais ilações supostamente em um processo em andamento nos Estados Unidos, do qual a Odebrecht ainda não teve acesso aos autos, a Odebrecht resguarda o direito de adotar as medidas legais cabíveis.

A empresa reafirma seu compromisso inegociável de atuação ética, íntegra e transparente em toda sua atuação empresarial”.

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