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Paulo Cappelli

Pesquisadora que rebateu ministro e foi desligada da USP aceita depor

Pesquisadora que afirma ter “corrigido” dados de pesquisa relacionada às enchentes no RS quer depor à Câmara

Paulo Cappelli, Petrônio Viana15/05/2024 12:44, atualizado 15/05/2024 21:17
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Pesquisadora Michele Prado

A pesquisadora Michele Prado, recém-desligada do núcleo que integrava na USP, aceitou convite para prestar esclarecimentos à Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados. O convite foi feito na terça-feira (14/5) pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) depois da polêmica envolvendo a pesquisadora nas redes sociais. Ela afirma que o ministro Paulo Pimenta teria faltado com precisão ao divulgar o resultado de um levantamento feito pelo núcleo que ela integrava.

A princípio, a pesquisadora havia negado o convite, mas voltou atrás nesta quarta-feira (15/5). “Reconsiderei o convite para falar ao Congresso e aceitarei para esclarecer, baseada na verdade dos fatos, todas as informações a respeito do episódio e me defender das mentiras que a brutal campanha de cyberbullying contra mim – oriunda principalmente de setores da esquerda – têm disseminado nas redes”, disse Michele Prado no Instagram.

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Pesquisadora Michele Prado virou alvo de ataques após questionar dados de pesquisa
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Em seu convite, Nikolas Ferreira alegou a importância de ouvir as explicações da pesquisdora sobre as denúncias de criação de uma suposta milícia digital pela esquerda.

“Entrarei com um requerimento na Comissão de Comunicação, para convidar a jornalista Michele Prado, para prestar esclarecimentos sobre suas alegações de milícia digital criada pela primeira-dama, ⁠gabinete do ódio, ⁠manipulação da opinião pública realizada por meios de comunicação. É de máxima importância ouvir e trazer luz a essas denúncias”, disse o deputado.

Michele Prado diz ter se tornado alvo nas redes sociais após “corrigir” dados de uma pesquisa envolvendo as enchentes no Rio Grande do Sul e o sentimento da população na internet. “Esse pessoal só vai parar quando eu me matar”, escreveu a pesquisadora em seu perfil no X, antigo Twitter. Na mesma rede social, após dar publicidade à “correção”, ela anunciou ter sido desligada de um grupo de pesquisas sobre extremismo, do qual participava.

De acordo com Michele Prado, o cyberbullying começou depois que a pesquisadora questionou dados apresentados na mídia e pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Paulo Pimenta, de que as fake news estavam atrapalhando o trabalho de resgate das vítimas das enchentes no RS.

Em uma publicação na qual Pimenta falava que “o número de fake news correndo as redes sociais quadruplicou desde o início da tragédia no Rio Grande do Sul” e acusava a extrema direita pela disseminação das notícias falsas, Michele Prado comentou: “Qual estudo, ministro?”.

Sobre a pesquisa, Michele classificou como incorreto o dado de que 31% dos discursos com sentimentos antigovernamentais e anti-institucionais sejam desinformação, como divulgado em alguns veículos de comunicação.

“Um adendo: nós do grupo de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio não classificamos se os discursos com sentimentos antigovernamentais e anti-institucionais eram queixas legítimas, desinformação ou fake news. Fizemos a análise quantitativa de sentimentos antigovernamentais e anti-institucionais, sem classificar como desinformação. Os 31% referem-se só e somente ao volume de discursos com sentimentos antigovernamentais e anti-institucionais, não houve análise qualitativa e NÃO classificamos como desinformação”, diz a postagem.

Michele bloqueou o acesso a seu perfil no X e proibiu comentários em suas postagens. Sem mais detalhes, ela apontou a existência de uma milícia digital orquestrada pelo governo e afirmou haver “milhares de campanhas” contra ela, atuando ao mesmo tempo. Em seu perfil no X, tanto militantes de esquerda quanto de direita criticaram a influenciadora, que chegou a ser um dos assuntos mais comentados da rede social.

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