
Paulo CappelliColunas

Os pontos de Trump para declarar PCC terrorista mesmo sem aval de Lula
Saiba os argumentos do governo Trump ao avançar para classificar PCC e CV como grupos terroristas, mesmo sem o aval do presidente Lula
atualizado
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reúne elementos para classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas, mesmo com o governo Lula se opondo à medida.
Um dos argumentos usados pelo governo Trump é que, uma vez que essas organizações sejam classificadas como terroristas, não apenas as facções poderão sofrer sanções econômicas severas como também qualquer pessoa ou empresa que as ajude de alguma forma.
“Uma companhia de ônibus que lave dinheiro para o PCC ou lhes forneça apoio logístico poderá sofrer punições de forma bem mais ágil e menos burocrática por parte de Washington. O objetivo é minar todos os eixos que dão sustentação a essas organizações”, explicou um integrante do governo do Estados Unidos à coluna.
A possibilidade de a administração Trump classificar PCC e CV como terroristas, mesmo sem o aval de Lula, foi revelada pela coluna ainda em 2025 e ganhou tração nos últimos dias.
Caso Trump avance com o plano, faccionados do PCC e do CV presos nos EUA receberão penas mais duras e poderão ser transferidos para o Centro de Confinamento de Terroristas (Cecot), presídio linha-dura em El Salvador. A medida serviria para desencorajar pessoas a entrarem nas fileiras do tráfico.
Resistência
De acordo com auxiliares de Trump, a resistência do governo Lula não impede uma ação unilateral por parte dos EUA.
“Os Estados Unidos não dependem do aval de outros governos para decidir se classificam grupos criminosos transnacionais como terroristas. Para muitas pessoas, organizações ligadas ao narcotráfico levam terror à população diariamente”, disse à coluna um assessor do presidente norte-americano.
Já o governo Lula é contra classificar PCC e CV como terroristas por temer que isso sirva de justificativa para os EUA realizarem ações militares no Brasil sem o aval do Palácio do Planalto. O Itamaraty também teme que tal classificação afete o turismo e afaste investimentos estrangeiros.
Em que pesem as divergências entre Brasil e Estados Unidos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública tem ampliado os espaços de cooperação com os EUA para o combate ao CV e ao PCC, com linha direta entre a Polícia Federal e as polícias de alguns estados norte-americanos.
A classificação de CV e PCC como grupos terroristas foi tema de discussão entre representantes do governo dos EUA e do governo brasileiro, em território nacional, e também entre o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na Casa Branca.





