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Paulo Cappelli

ONG anticorrupção diz sofrer “escalada de assédio” do governo Lula

Transparência Internacional diz que sua unidade no Brasil sofre ataques e cobra esclarecimentos após alegação de investigação

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida do presidente do Brasil - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

A Transparência Internacional, organização sem fins lucrativos que atua no combate à corrupção, afirmou que sua unidade no Brasil enfrenta uma “escalada de assédio” por parte de membros do governo Lula. Segundo a ONG, declarações públicas tentam deslegitimar seu trabalho por meio de acusações sem comprovação e alegações de motivação política. A manifestação foi divulgada pelo secretariado global da organização, sediado em Berlim.

Em nota, a entidade diz que “seu capítulo brasileiro está enfrentando uma escalada de assédio vinda de membros do governo brasileiro”, apesar de o próprio governo defender publicamente o papel das organizações da sociedade civil na formulação de políticas públicas, na governança democrática e na prevenção da corrupção, especialmente em programas de grande volume de investimentos públicos.

A ONG afirma que o braço brasileiro participa de iniciativas governamentais e atua em debates sobre políticas públicas e mecanismos de controle, com recomendações baseadas em evidências e foco no fortalecimento institucional e na proteção de recursos públicos.

Pedido de independência

O presidente do Conselho Global da Transparência Internacional, François Valérian, manifestou apoio à unidade brasileira e pediu que o governo cesse o que a entidade classifica como assédio, defendendo que organizações da sociedade civil exerçam análise independente sem retaliações.

A nota menciona ainda declaração recente de um integrante do governo segundo a qual a Transparência Internacional – Brasil estaria sob investigação da Polícia Federal. De acordo com a organização, “não há registros públicos dessa investigação, e a Transparência Internacional – Brasil não foi formalmente notificada nem recebeu documentação oficial”. Diante disso, a entidade informa ter enviado cartas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a outros ministros solicitando esclarecimentos.

O texto cita também que, em outubro, a Transparência Internacional já havia reagido a ataques após autoridades do alto escalão do Judiciário brasileiro repetirem publicamente alegações que a organização classifica como infundadas sobre seu financiamento e suas atividades.

ONG criticou prisão de Bolsonaro

A Transparência Internacional criticou em agosto a decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão domiciliar.

A organização internacional considerou preocupante a detenção de Bolsonaro com base em “fundamentos jurídicos frágeis” por suposta violação de “proibição genérica de comunicação”.

Na avaliação da ONG, a medida de Moraes “parece configurar tentativa de silenciamento incompatível com o Estado de Direito”.

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