Paulo Cappelli

Ex-deputado é acusado de estupro e lesão corporal

Outro lado: ex-deputado admite ter tido relação com a denunciante, mas se diz vítima de “revanche política” e nega as acusações

atualizado

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Alerj
Ex-deputado Alexandre Freitas
1 de 1 Ex-deputado Alexandre Freitas - Foto: Alerj

Ex-deputado estadual no Rio de Janeiro, Alexandre Freitas foi acusado de estupro e lesão corporal grave por sua então namorada, que disse ter sido obrigada a fazer uma cirurgia no seio após o episódio ocorrido em 2022. O parlamentar se elegeu em 2018 pelo partido Novo e migrou para o Podemos em 2021.

Na denúncia obtida pela coluna, o Ministério Público aponta que Freitas “constrangeu sua namorada/vÌtima a praticar e permitir que com ela se praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal, ao introduzir seus dedos na genitália da vítima e fazer sexo oral”.

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Ex-deputado Alexandre Freitas é acusado de estupro e lesão corporal
Ex-deputado Alexandre Freitas diz ter sido vítima de chantagem
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“O denunciado Alexandre atraiu a vítima até seu apartamento sob a justificativa de um jantar romântico e, durante uma conversa em que A.P. confidenciou que havia feito a reconstrução da mama e usava prótese mamária, o denunciado Alexandre beliscou de maneira violenta o mamilo direito da vítima/A.P., causando intensa dor à vítima, que imediatamente alertou o acusado através dos dizeres: ‘Você está louco?! Doeu! Que maluco!… (sic)’”, anotou o MPRJ.

Após a suposta agressão, que a vítima diz ter sido motivada por desavenças ocorridas durante a relação amorosa, A.P. teria sofrido uma inflamação no mamilo que resultou na retirada da prótese.

À Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alexandre Freitas admitiu o envolvimento com a ex-companheira, mas negou ter sido autor da violência narrada. De acordo com o ex-deputado, a mulher tentou extorqui-lo mediante a ameaça de uma falsa denúncia por agressão.

“Alexandre Teixeira de Freitas Rodrigues noticiou que teve um breve envolvimento de natureza sexo-afetiva A.P., a qual alegou ter seus seios inflamados e necessitar de tratamento hospitalar. A.P., então, tentou obter dinheiro de Alexandre, ameaçando acusá-lo de violação sexual e outros crimes”, afirma o registro de ocorrência na Polícia Civil.

Em suas redes sociais, Alexandre Freitas afirma ser “político de direita”, “bem casado”, “cristão” e “gente boa”. Em 2022, ele concorreu a deputado federal pelo Podemos, mas não conseguiu se eleger.

Defesa alega “revanche política”

Em seu depoimento, Alexandre Freitas apresentou registros de conversas por aplicativos de mensagens e disse ter tido apenas dois encontros com a suposta vítima de estupro. “As conversas entre eles eram amistosas, incluindo teor sexual, até meados de dezembro de 2022. No segundo encontro, A.P. supostamente mostrou seu seio esquerdo a Alexandre, que a aconselhou a procurar ajuda médica”, disse a defesa do parlamentar.

O relatório da Polícia Civil indica que A.P. pediu dinheiro a Alexandre e foi bloqueada pelo ex-deputado no aplicativo de mensagens.

“A análise do histórico de mensagens entre Alexandre e A.P. indica que, após a prática de atos libidinosos, ambos conversam amistosamente, inclusive Alexandre auxiliou A.P., orientando-a e levando-a ao hospital, bem como visitando-a e conversando com o seu médico. Porém, em 11/01/2023, A.P. passou a pedir a Alexandre para pagar sua prótese de silicone, insinuando que ele teria responsabilidade pela cirurgia realizada para retirar a prótese anterior, por ter beliscado o seu seio”, afirma um relatório da Polícia Civil.

“Diante da recusa de Alexandre em prestar auxílio financeiro, A.P. falou em ‘exposição’ e em buscar a ‘Justiça’, fazendo Alexandre se sentir chantageado, o que A.P. negou estar fazendo. No dia 23/02/2023, A.P. voltou a enviar mensagens afirmando que estava tendo gastos sozinha e questionou se Alexandre a ajudaria com as despesas, o qual refutou qualquer responsabilidade no ocorrido com a mama de A.P. e negou auxílio financeiro. No dia seguinte, 24/02/2023, A.P. compareceu à DEAM [Delegacia de Atendimento à Mulher] Centro para noticiar crime de estupro com resultado lesão corporal grave”, registra o inquérito.

Em contato com a coluna, Rodrigo Roca, advogado responsável pela defesa de Alexandre Freitas, disse que seu cliente é alvo de uma “revanche política” orquestrada junto com um desafeto do ex-deputado. “Alexandre Freitas foi vítima de uma falsa acusação. Por se tratar de processo sigiloso, não poderemos mostrar aqui toda a trama engendrada para prejudicá-lo”.

“As palavras da caluniadora em Juízo foram o suficiente para deixar claro que tudo não passa de uma covardia arquitetada como uma revanche política. Sobre a suposta vítima, foi feito um registro na 16ª DP relatando crimes de calúnia e extorsão, mas, quando chamada a se explicar, disse que só falaria em Juízo”, disse o advogado.

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