
Paulo CappelliColunas

Erika Hilton analisa limite entre crítica política e transfobia
Em entrevista à coluna, a deputada federal Erika Hilton explica o que considera o limite entre uma crítica política e um ataque transfóbico
atualizado
Compartilhar notícia
A deputada federal Erika Hilton (Psol) avaliou, em entrevista à coluna, que críticas políticas deixam de ser legítimas quando envolvem ridicularização e negação da identidade, caracterizando manifestações de preconceito e ódio.
“Quando você parte para a ridicularização, para a negação da identidade, quando você quer afirmar qual é a identidade do outro, cita características físicas, isso deixa de ser opinião. Quando você ridiculariza, nega a identidade, faz da pessoa uma caricatura, já não é mais opinião, é preconceito, é ódio”, afirmou.
A parlamentar também criticou situações em que indivíduos julgam outros com base em suas “crenças e valores”. “Quando você se sente autorizado, pelas suas crenças e valores, a dizer que uma pessoa é o que não é e, a partir daí, você faz piada, debocha, desumaniza, já não é mais crítica política pertinente”, disse.
Hilton também ressaltou que questionamentos fazem parte do processo democrático. “É legítimo questionar. Tem projetos? Quais são os projetos para além da questão?”, disse.
Comissão dos Direitos das Mulheres
Ainda na entrevista, a deputada declarou que dúvidas sobre capacidade de representação podem ser feitas em diferentes contextos. “Será que a deputada Erika Hilton, com a vivência, com a vida que tem, conseguirá? Porque eu também posso questionar: será que uma deputada branca, elitizada, que nasceu cheia de privilégios tem capacidade de ocupar a Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e representar todas?”, concluiu.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu, no dia 11 de março, a deputada Erika Hilton (Psol) para presidir o colegiado neste ano. Ela recebeu 11 votos, e houve dez votos em branco. A parlamentar substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol).
Em seu discurso de posse, ela lembrou que é a primeira mulher trans a presidir a Comissão. “Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande”, afirmou.







