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Eleições 2026Neila Guimarães

Pesquisa aponta que sanções contra Moraes podem ser trunfo para Flávio

Levantamento ouviu 1.991 eleitores brasileiros em agosto para medir o impacto eleitoral de possíveis ações do governo americano

03/09/2026 19:30
Getty Images
Dois cartões com as bandeiras de Estados Unidos e Brasil, lado a lado - Metrópoles

Aliados do presidente Donald Trump encomendaram uma pesquisa nacional no Brasil com um objetivo específico: descobrir se as medidas que os Estados Unidos estudam adotar contra autoridades brasileiras teriam custo eleitoral para a direita. A resposta foi clara: não têm. Em alguns casos, ajudam.

O levantamento, feito em agosto pela McLaughlin & Associates, instituto que trabalha para Trump, ouviu 1.991 eleitores em todo o país.

A pergunta central era direta: se os Estados Unidos voltarem a impor sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, por violações de direitos humanos, isso muda o seu voto? Para a maioria (53,3%), não muda nada. Entre os que mudariam, a vantagem é de Flávio Bolsonaro: 24,7% dos eleitores disseram que ficariam mais propensos a votar no senador, contra 18,2% que ficariam mais propensos a votar em Lula.

Olhando eleitorado por eleitorado, o padrão se repete. Mais da metade dos eleitores de Flávio (52,4%) diz que as sanções reforçariam seu voto nele. Entre os eleitores dos outros candidatos de oposição, a medida também aproxima de Flávio: 36,5% no eleitorado de Ronaldo Caiado, 36,4% no de Pablo Marçal, 32,7% no de Romeu Zema e 26,2% no de Augusto Cury. Do lado de Lula, 38,5% dos eleitores dizem que votariam nele com mais convicção, mas a maioria (56,6%) afirma que nada mudaria. Entre os indecisos, a resposta dominante é a indiferença: a grande maioria diz que a medida não altera sua decisão.

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A pesquisa também testou um cenário mais amplo: sanções americanas a outras autoridades do governo Lula e do STF, por violações à liberdade de expressão e de imprensa. O resultado foi ainda melhor para o senador: 27,3% dos eleitores ficariam mais propensos a votar em Flávio, contra 17,4% em Lula. No eleitorado do próprio Flávio, 57,3% dizem que a medida reforçaria seu voto – o segundo maior índice de todo o questionário.

O item mais sensível testado pelo instituto foi o de ações militares. A pergunta: se os Estados Unidos realizarem operações militares contra facções do narcotráfico dentro do Brasil, como já fizeram em outros países da América Latina, isso muda o seu voto? Mesmo nesse cenário extremo, o resultado favorece o senador: 28,4% dos eleitores ficariam mais propensos a votar em Flávio, contra 18,2% em Lula, com 49,7% dizendo que nada mudaria.

Pesquisa foi feita antes de escândalos

Um dado da própria pesquisa ajuda a explicar por que essas medidas não geram a rejeição que o governo Lula esperaria. Perguntados sobre qual tema é o mais importante na escolha do presidente, apenas 3,6% dos eleitores citaram defesa e soberania nacional. Saúde (23,2%), segurança pública (15,6%) e educação (12,4%) dominam a lista. A soberania, tema central do discurso do governo contra os Estados Unidos, é prioridade de uma fatia mínima do eleitorado, enquanto o combate ao crime, terreno das ações americanas testadas, é a segunda maior preocupação do país.

Um detalhe de calendário torna os números ainda mais relevantes. A pesquisa foi encerrada um dia antes de virem a público as revelações liberadas pelo ministro André Mendonça envolvendo Alexandre de Moraes, ou seja, todo o levantamento reflete um cenário anterior ao episódio que colocou o ministro no centro do noticiário. A avaliação dos interlocutores que encomendaram o estudo é que, se a mesma pergunta fosse feita hoje, a aprovação às sanções seria ainda maior.