Mirelle Pinheiro

Viagem de vereadores a Brasília é investigada após flagra da polícia

A abordagem da PRF ocorreu durante viagem oficial e envolveu quatro parlamentares de Cáceres (MT)

atualizado

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Câmara Municipal de Cáceres
03 – Jorge Augusto
1 de 1 03 – Jorge Augusto - Foto: Câmara Municipal de Cáceres

Quatro vereadores do município de Cáceres, em Mato Grosso, tornaram-se alvo de uma apuração interna conduzida pela Câmara Municipal após serem abordados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 30 de novembro de 2025, na região de Barra do Garças, a cerca de 508 quilômetros de Cuiabá, enquanto seguiam para Brasília, onde cumpririam um compromisso institucional.

De acordo com as apurações, o vereador Jorge Augusto (PP) teria sido flagrado conduzindo o veículo oficial com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa, em razão de penalidade anterior relacionada à condução sob efeito de álcool.

Aos agentes ele teria informado que o carro oficial tinha como destino o 18º Congresso Brasileiro de Câmaras Municipais, promovido pela Associação Brasileira das Câmaras Municipais (Abracam), previsto para ocorrer entre os dias 2 e 5 de dezembro de 2025. Segundo o relato, o motorista responsável pelo veículo teria apresentado sinais de cansaço e necessidade de parada, momento em que Jorge Augusto teria se oferecido para assumir a direção.

Ainda conforme a denúncia, os demais parlamentares que estavam no veículo — Professor Domingos, Manga Rosa e Franco Valério, todos do PSB — não teriam comunicado a Presidência da Câmara formalmente, mas o caso teria sido descoberto após uma denúncia na ouvidoria.

Procurado pela coluna, Jorge Augusto apresentou sua versão dos fatos. O parlamentar afirmou que o servidor designado para conduzir o veículo oficial sofreu um mal-estar súbito, relacionado a um quadro clínico de hipertensão, o que teria gerado preocupação quanto à integridade física do motorista e à segurança dos ocupantes.

“Diante dessa situação emergencial, tornou-se inviável e desaconselhável a continuidade da condução pelo referido servidor, sob pena de agravamento de seu estado de saúde e de comprometimento da segurança do deslocamento”, declarou.

Jorge afirmou ainda que assumiu a direção do veículo com o objetivo de preservar a saúde do servidor, garantir a segurança viária e assegurar a continuidade do deslocamento oficial, ressaltando que era o único com conhecimento adequado do trajeto.

O vereador alegou também que, à época dos fatos, não tinha ciência de qualquer restrição administrativa em sua CNH.

Já Franco Valério afirmou que “foi uma questão humanitária”. “O motorista era um senhor de 70 anos, prestes a se aposentar, e estava exausto. Se soubéssemos que ele (Jorge) estava com a CNH suspensa, eu teria assumido o volante. Não considero que tenha sido algo grave. Não houve dano ao erário público; grave é subtrair recursos públicos”, disse.

Professor Domingos afirmou ter plena certeza de que Jorge desconhecia a suspensão de sua CNH, alegando que, se soubessem, outra pessoa teria assumido o papel de motorista.

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À coluna, eles falaram sobre o caso
Os vereadores seguiam para Brasília
Os vereadores alegam que o motorista teria se sentido mal
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Apuração interna

Em pronunciamento, o presidente da Câmara Municipal de Cáceres, Flávio Negação, afirmou que tomou conhecimento formal da denúncia por meio da Ouvidoria da Casa apenas na última segunda-feira (19/1).

“Diante dos fatos relatados, já dei início a uma apuração interna. Uma das etapas previstas será ouvir todas as partes envolvidas, garantindo o amplo direito de defesa, conforme estabelece o Regimento Interno da Casa e a Constituição Federal”, afirmou.

Flávio Negação garantiu que, após a coleta das informações, serão realizadas análises técnica e jurídica para a adoção das providências cabíveis, incluindo a eventual abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD), caso seja necessário.

“Reafirmo, em nome da Câmara de Cáceres, nosso compromisso com a transparência pública, reconhecida nacionalmente. Não nos furtaremos a prestar todos os esclarecimentos à população em momento oportuno, após a devida apuração dos fatos”, concluiu.

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