
Mirelle PinheiroColunas

Golpe da falsa central: PCDF prende quadrilha que lesou idosos. Veja vídeo
De acordo com a apuração, os criminosos entravam em contato telefônico com a vítima afirmando que havia movimentações suspeitas em sua conta
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (22/1), a Operação Falsa Central, voltada ao desmonte de uma organização criminosa especializada no golpe conhecido como falsa central de banco.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor).
A investigação teve início após uma idosa, moradora do Distrito Federal, relatar que havia sido enganada por criminosos que se passaram por funcionários do setor de segurança e jurídico de uma instituição bancária.
Entre os dias 6 e 12 de maio de 2025, a vítima foi induzida a realizar sucessivas transferências bancárias, além de contrair empréstimos, o que resultou em um prejuízo total de R$ 212,5 mil. Para preservar a vítima, a polícia optou por não divulgar o nome do banco.
Como funcionava o golpe
De acordo com a apuração, os criminosos entravam em contato telefônico com a vítima afirmando que havia movimentações suspeitas em sua conta.
Apresentando-se como gerente ou integrante do setor jurídico do banco, mantinham a idosa sob forte pressão psicológica e orientação contínua.
Em determinado momento, ela foi convencida a ir pessoalmente até uma agência bancária.
Durante todo o atendimento, permaneceu em ligação com um dos golpistas, que a orientava passo a passo.
Sob o pretexto de “rastrear” valores supostamente desviados, os criminosos ordenavam que a vítima realizasse transferências e empréstimos de alto valor.
O dinheiro era enviado para empresas de fachada e contas de terceiros recrutados como “laranjas”, usados para pulverizar os valores e dificultar o rastreamento.
Posteriormente, os recursos retornavam aos líderes do grupo por meio de operações de lavagem de dinheiro.
Organização criminosa e prejuízos
A análise de dados financeiros e vestígios cibernéticos permitiu à polícia identificar o núcleo central da organização e seus operadores financeiros.
Até o momento, ao menos dez outras vítimas foram localizadas no Distrito Federal, com prejuízo que ultrapassa R$ 500 mil.
A Justiça autorizou o cumprimento de três mandados de prisão e oito mandados de busca e apreensão em endereços na cidade de São Paulo.
Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias, sequestro de imóveis, apreensão de veículos de alto valor e suspensão das atividades de empresas utilizadas no esquema.
Até agora, dois mandados de prisão foram cumpridos. Durante as diligências, policiais apreenderam computadores, celulares e veículos de luxo. Cerca de 60 agentes participaram da operação, que contou com apoio da Polícia Civil paulista.
Ao todo, 12 integrantes do grupo já foram identificados e deverão ser indiciados.
Crimes e continuidade das apurações
Os investigados responderão por estelionato qualificado pelo uso de meio eletrônico, violência psicológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 24 anos de prisão.
As investigações seguem em andamento para apurar a existência de novas vítimas e identificar outros envolvidos no esquema criminoso.
