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Mirelle Pinheiro

Veterinária presa após incendiar marido diz que queria “assustá-lo”. Veja vídeo

Em depoimento à Polícia Civil, mulher afirmou que a discussão começou após ela suspeitar que estava sendo traída

24/06/2026 13:53, atualizado 24/06/2026 14:21
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Material cedido ao Metrópoles
Veterinária presa após incendiar marido diz que queria “assustá-lo”

A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, presa após atear fogo no próprio marido durante uma discussão em Campo Grande (MS), afirmou em depoimento à Polícia Civil que sua intenção era apenas pressionar o companheiro a admitir uma suposta traição. Segundo ela, o episódio ocorreu após uma sequência de discussões motivadas pela suspeita de que o homem mantinha um relacionamento extraconjugal.

O caso aconteceu na segunda-feira (22/6), em uma residência no bairro Santa Luzia. A vítima, Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira, de 41 anos, servidor do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sofreu queimaduras graves em aproximadamente 80% do corpo e permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da cidade.

Em interrogatório conduzido pelo delegado Felipe de Oliveira Paz e obtido pela coluna, a investigada relatou que vive com o marido há 26 anos e que o relacionamento atravessava uma crise. Segundo o depoimento, o casal passou a noite discutindo e retomou a conversa na manhã seguinte.

“Eu queria que ele me dissesse a verdade. O tempo todo ele falava de retomar o casamento, da gente ficar junto, mas não era o que eu sentia”, disse.

Segundo Lidiane, a discussão ocorreu enquanto o marido organizava uma mochila para retornar a Brasília (DF), onde também mantém residência em razão do trabalho como servidor federal.

A veterinária contou à polícia que, durante a briga, foi até a cozinha, pegou um recipiente com álcool de limpeza e despejou o conteúdo sobre a mochila do marido.

“Eu joguei parte do vidro de álcool na mochila, porque era a mochila com pertences dele que eu queria queimar”, afirmou.

Além disso, ela conta que o homem saiu do quarto em direção à garagem. Ela o acompanhou e, já do lado de fora da casa, acionou um isqueiro que carregava no bolso do casaco.

“Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro”, disse.

No depoimento, Lidiane afirmou que, inicialmente, não percebeu que a roupa do marido havia sido atingida pelas chamas. Segundo sua versão, somente depois notou que a camiseta preta que ele vestia começou a mudar de cor.

A suspeita disse ainda que tentou retirar a peça de roupa em chamas e que ambos caíram no chão durante a tentativa.

A filha do casal, Lana, presenciou parte da ocorrência e foi quem utilizou uma mangueira para apagar o fogo. “Ela chegou, ligou a mangueira e jogou nele”, contou a mulher.

Após conter as chamas, a família levou a vítima ao Hospital da Cassems. Posteriormente, ele foi transferido para outra unidade hospitalar devido à gravidade dos ferimentos. “Nós fomos no carro daqui até lá conversando. Eu estava tentando manter ele responsivo”, disse.

Depoimento

Antes de ser submetido aos procedimentos médicos e colocado em coma induzido, Carlitos informou à equipe de saúde que a esposa havia sido responsável por atear fogo nele.

Após isso, a entrada da mulher no hospital foi proibida. Em uma das tentativas de acesso à unidade, a Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão em flagrante da veterinária.

“É claro que eu me arrependo. Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele. Eu dava tudo para voltar atrás. Foi só para assustar”, afirmou a suspeita.

A mulher informou à polícia que possui diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada e depressão. Segundo ela, faz acompanhamento psiquiátrico há cerca de oito anos, mas estava sem tomar os medicamentos prescritos havia entre 15 e 20 dias.

A investigada também disse ter ouvido de profissionais de saúde que o marido sofreu queimaduras de segundo grau em grande parte do corpo e que precisaria passar por procedimentos cirúrgicos especializados.

Lidiane passou por audiência de custódia nesta terça-feira (23/6). A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.