Veja como grupo planejava atacar Brasília nas eleições
Os investigados se uniram em um grupo virtual para planejar ataques a prédios públicos em Brasília em outubro deste ano

Foi em um grupo virtual no Telegram que oito homens, unidos pelo ódio ao atual sistema político brasileiro, criaram um plano violento para atacar Brasília durante o período eleitoral de 2026. Os suspeitos foram alvo da Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta terça-feira (4/8).
Durante coletiva de imprensa concedida pelas autoridades envolvidas na investigação, o delegado Maurílio Coelho detalhou que o ambiente virtual foi usado pelos investigados como um verdadeiro escritório para planejar o ataque.
Com o objetivo de provocar uma “revolução política”, sem alinhamento a ideologias de esquerda ou de direita, o grupo escolheu como alvo prédios públicos na região central do Plano Piloto, especialmente na Esplanada dos Ministérios.
De acordo com o delegado, a investigação constatou que o grupo elaborou um mapa da área central de Brasília, demarcando os ministérios, identificando suas respectivas pastas, além do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), para definir o que classificava como “alvo primário”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroAlém disso, segundo a investigação, os suspeitos teriam acessado a planta baixa do Palácio do Planalto, local definido pelo grupo como o alvo primário.
“O grupo não citava nomes específicos. Essa é uma característica observada nas investigações. É como se fossem contra o sistema político, sem determinar se são de esquerda ou de direita”, revelou Maurílio.
As autoridades não levantaram uma data específica para os ataques, mas constataram que eles ocorreriam em outubro deste ano.
Também não ficou claro, ainda, como ocorreriam as ações. Apesar disso, foi identificado que o grupo compartilhava manuais para fabricação de artefatos explosivos, informação que motivou o cumprimento de medidas cautelares para preservar provas e aprofundar as apurações.
O início da investigação
O planejamento criminoso foi detectado, inicialmente, pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que repassou as informações ao Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, dando início à atuação conjunta com a Polícia Civil do Distrito Federal e as polícias civis dos estados envolvidos.
Nesta terça (4), a Operação Rede Interrompida mirou oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, nos estados de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, Pernambuco e do Rio Grande do Sul. Eles não têm antecedentes criminais.
Segundo a Polícia Civil, as buscas têm como objetivo apreender dispositivos eletrônicos, preservar provas digitais, identificar eventuais conexões ainda desconhecidas e esclarecer o nível de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas pelo grupo.
Até o momento, a investigação apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo. A PCDF ressaltou que, nesta fase da diligência policial, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo.
As investigações seguem sob sigilo, e a responsabilização de cada alvo dependerá da análise pericial dos materiais apreendidos.





