
Mirelle PinheiroColunas

“Sicário” de Daniel Vorcaro acumulou R$ 8,4 milhões em patrimônio
As informações estão sob análise da Polícia Federal e da CPI do Crime Organizado, no Senado
atualizado
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As declarações de Imposto de Renda de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do empresário Daniel Vorcaro, indicam um crescimento acelerado do patrimônio nos últimos anos. Os documentos, analisados por investigadores, mostram que o total de bens informados passou de R$ 1,2 milhão, em 2021, para R$ 8,4 milhões em 2024.
As informações estão sob análise da Polícia Federal e da CPI do Crime Organizado, no Senado, que investigam a origem dos recursos e a evolução patrimonial do investigado.
O destaque das declarações é uma coleção de relógios de alto padrão, que reúne peças avaliadas em mais de R$ 5,8 milhões.
O acervo inclui modelos de marcas como Rolex, Patek Philippe, Richard Mille e Audemars Piguet. Entre eles, há unidades que chegam a R$ 2 milhões, além de outros exemplares avaliados na casa de R$ 1 milhão.
Parte dos relógios foi declarada considerando apenas valores já pagos em parcelas, o que faz com que o montante total registrado fique abaixo do custo integral dos bens.
Dinheiro
Além dos itens de luxo, Mourão declarou valores em espécie, incluindo R$ 180 mil e US$ 174 mil. Também aparecem nas declarações cotas avaliadas em R$ 1 milhão de uma empresa do ramo de locação de veículos, criada em Belo Horizonte em 2020.
O patrimônio inclui ainda cinco veículos, com valor total estimado em cerca de R$ 1,6 milhão. Entre eles, estão modelos de alto padrão, como Land Rover, Audi Q8 e BMW.
Registros anteriores indicam que ele já teve outros carros de luxo, incluindo esportivos e utilitários de alto valor de mercado.
“A Turma”
Mourão foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, ele atuava em uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, voltada à coleta de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou consideradas adversárias do grupo.
Os investigadores apontam que há indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos, por meio do uso de credenciais de terceiros. Entre as bases acessadas estariam sistemas da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Durante o cumprimento de mandados, agentes apreenderam relógios, dinheiro em espécie, veículos e uma arma de fogo.
Após a prisão, Mourão foi levado para a carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais, onde atentou contra a própria vida. Ele não resistiu.
