
Mirelle PinheiroColunas

PF investiga suposta tentativa de suicídio de “Sicário” de Vorcaro
Luiz Phillipi Machado foi preso nessa quarta-feira (4/3) e atentou contra a própria vida quando estava na Superintendência da PF em MG
atualizado
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A Polícia Federal (PF) investigará a suposta tentativa de suicídio cometida por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (foto em destaque), nessa quarta-feira (4/3), após ser preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Nesta quinta-feira (5/3), fontes da PF ouvidas pela coluna reafirmaram que Luiz Phillipi, apelidado de “Sicário”, entrou em protocolo de morte encefálica.
A suposta tentativa de suicídio teria ocorrido durante a tarde, na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais (MG). Em nota divulgada logo depois do caso, a PF afirmou que, ao tomar conhecimento da situação, investigadores que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Sicário foi encaminhado ao Hospital João XXIII, no centro de Belo Horizonte.
Após prestarem socorro, os investigadores compilaram os registros que comprovam a dinâmica da tentativa e os encaminharam imediatamente ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na noite dessa quarta-feira (4/3), fontes confirmaram à coluna a morte cerebral de Sicário. No entanto, por volta das 22h, a corporação emitiu nota oficial afirmando que “não confirma as notícias veiculadas na imprensa que atestam a morte do custodiado”.
Blindado apreendido
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, ainda na noite de quarta-feira (4/3), um utilitário Land Rover Range Rover pertencente a Sicário. A abordagem ocorreu na BR-381, no município de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.
No veículo, havia um casal que seguia de Belo Horizonte (MG) para São Paulo (SP). Durante a fiscalização, os ocupantes informaram aos policiais que o carro pertencia a um amigo.
Após consultas aos sistemas, os policiais identificaram que o utilitário estava registrado em nome de Mourão. A equipe também verificou a existência de uma restrição de circulação determinada pelo STF, além de irregularidades no licenciamento do veículo.
O veículo blindado, avaliado em mais de R$ 700 mil, foi apreendido pela PRF e encaminhado para custódia, ficando à disposição da Justiça.
Nenhum material ilegal foi encontrado com o casal que estava no carro, e os ocupantes também não possuíam mandados de prisão em aberto.
Quem é Sicário
Segundo a PF, Sicário exerceria um papel importante na organização das atividades da milícia do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, grupo denominado de “A Turma”.
A decisão judicial descreve que ele seria responsável por coordenar ações de vigilância, levantar informações e acompanhar pessoas consideradas rivais ou críticas ao empresário.
Nas conversas analisadas pelos investigadores, Mourão aparece como o articulador das atividades da chamada “Turma”, grupo que reunia pessoas próximas ao banqueiro e integrantes com experiência na área de segurança.
As mensagens apreendidas indicam que a estrutura teria financiamento mensal que chegaria a cerca de R$ 1 milhão, valor destinado a custear as atividades de monitoramento e a remuneração dos integrantes envolvidos.
Em diálogos citados na decisão do STF, Mourão afirma que os recursos eram repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e posteriormente distribuídos entre os participantes da equipe.
Além de citar Mourão, a investigação aponta a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que também integraria o grupo. Para a Polícia Federal, a atuação da estrutura sugere a existência de uma rede privada de vigilância e pressão, voltada a coletar informações e acompanhar pessoas ligadas às investigações envolvendo o Banco Master.
Com base nos elementos reunidos, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra os investigados na nova fase da operação. A decisão também cita indícios de tentativa de interferência nas apurações, o que teria motivado as medidas cautelares determinadas pela Corte.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro informou que requereu ao STF que a PF apresente detalhes das informações objetivas que sustentaram o pedido de prisão, incluindo as datas das mensagens atribuídas a Vorcaro e mencionadas na investigação, a comprovação da existência do suposto grupo de mensagens denominado “A Turma”, entre outros.
“Daniel Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades e segue colaborando com as investigações, confiante de que o acesso pleno aos elementos do processo permitirá o correto esclarecimento dos fatos, com respeito ao contraditório e à ampla defesa”, diz a nota.














