Série de agressões: pais são presos por morte de bebê de 1 ano no Rio.
Investigação da PCERJ aponta uma rotina de violência na residência da família, com gritos, xingamentos, ameaças e choros

Um casal foi preso pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) nesta terça-feira (11/8) suspeito de matar a própria filha, Ariella Vitória Lopes de Oliveira, de 1 ano e 9 meses, após a criança sofrer sucessivas agressões e maus-tratos dentro de casa.
Identificados como Evelyn Lopes dos Santos e Carlos Alexsandro da Silva de Oliveira, os dois foram localizados e presos por agentes da 24ª Delegacia de Polícia (Piedade), em uma ação conjunta com a 17ª DP.
A menina morreu em 19 de outubro de 2025, no Caju, bairro localizado no Rio de Janeiro. A polícia apurou que, na ocasião, os responsáveis teriam demorado a buscar atendimento médico para Ariella, apesar do estado grave da criança.
Por volta das 2h, os pais perceberam que ela não se movimentava e pediram ajuda a vizinhos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroAriella foi levada ao Hospital Estadual Anchieta, em parada cardiorrespiratória. Durante o atendimento, foram identificados sinais de trauma, incluindo escoriações, um abaulamento na cabeça e sangue coagulado próximo ao ouvido. A menina morreu 1h depois.
De acordo com os elementos médico-legais reunidos pela investigação, algumas das lesões eram compatíveis com ação violenta, e não com um acidente.
Investigação
Os investigadores reuniram depoimentos de testemunhas e moradores da região. Os relatos apontaram uma rotina de violência na residência da família, com gritos, xingamentos, ameaças, choros e barulhos de impacto contra a parede do apartamento.
Uma das testemunhas afirmou que Carlos costumava repreender os filhos aos gritos. Segundo o relato, quando Ariella começou a andar, o homem teria dito à menina: “Entra senão vou te bater, sua filha da puta, infeliz.”
De acordo com os depoimentos, ameaças e ofensas semelhantes também eram dirigidas ao filho do casal. Ambas as crianças eram vistas nos corredores do prédio com lesões e ferimentos aparentes pelo corpo.
Os investigadores também analisaram conteúdos publicados pela mãe nas redes sociais após a morte da filha. Foram identificadas publicações que mostravam atividades sociais, saídas e consumo frequente de bebida alcóolica. O material foi documentado durante a investigação.
Outras situações
Em um inquérito separado, Evelyn é investigada pela suspeita de ter queimado a mão do menino, então com 8 anos, utilizando uma colher aquecida.
Segundo a apuração, depois do episódio, ele teria sido impedido de frequentar a escola para evitar que a lesão fosse percebida pela rede de proteção.
Também foram colhidas informações de que a criança permanecia frequentemente desacompanhada nas ruas e utilizava transporte coletivo sozinha.
Após a prisão, Evelyn e Carlos foram encaminhados para as providências de polícia judiciária e permanecerão à disposição da Justiça.













