CV cobrava R$ 60 mil de pedágio para candidatos fazerem campanha no CE
Segundo o MP, grupo ameaçava políticos e eleitores para interferir nas eleições de 2024 e 2026. Investigação integra Operação Omertá

O Ministério Público do Ceará (MPCE) revelou novos detalhes sobre a Operação Omertá, deflagrada nesta terça-feira (11/8) para investigar uma suposta organização criminosa que teria interferido nas eleições de 2024 e 2026 em Sobral (CE). Segundo apurou a coluna, o Comando Vermelho (CV) cobrava até R$ 60 mil de candidatos para permitir que eles fizessem campanha em determinados bairros.
De acordo com o órgão, a cobrança funcionava como uma espécie de “pedágio eleitoral”. Candidatos que não tinham mandato pagariam cerca de R$ 30 mil, enquanto aqueles que já exerciam mandato seriam cobrados em aproximadamente R$ 60 mil para acessar determinadas áreas durante a campanha.
Além disso, a facção é suspeita de tentar influenciar a escolha dos eleitores por meio de coação e ameaças.
A atuação do grupo também teria atingido atividades relacionadas ao processo eleitoral de 2026. Eventos e reuniões políticas que seriam realizados em Sobral teriam sido cancelados após ameaças de morte e de atentados contra estabelecimentos e pessoas envolvidas na organização.
Operação
Como divulgado pela coluna, a operação desta terça-feira (11/8) prendeu preventivamente três vereadores do município: Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União) e Juninho do Povo (Podemos). Os três foram afastados dos respectivos mandatos por 180 dias.
Entre os presos, está uma policial militar que, segundo informações, atuava no policiamento ostensivo e é casada com um homem apontado como chefe da facção em Sobral, que também está preso. Ela foi afastada das funções pelo mesmo período.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroUm advogado também é investigado por suspeita de integrar a estrutura da organização criminosa. De acordo com a apuração, ele teria funções ligadas aos núcleos de liderança e de execução de ordens destinadas a interferir no processo eleitoral. O nome dele não foi divulgado.
Segundo o MP, o inquérito foi instaurado em 2024 e passou a reunir depoimentos e outros elementos sobre a suposta influência da facção nos processos eleitorais.
A investigação apura possíveis crimes de integração de organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral.
Ao todo, a Operação Omertá cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, dinheiro em espécie e documentos.
A Justiça Eleitoral determinou que a Câmara Municipal de Sobral apresente a relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporariamente vinculados ao Legislativo.
A operação foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL). As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.





