
Mirelle PinheiroColunas

Saiba quem é a delegada da PF que acusou motorista de app de extorsão
O motorista foi detido na última quinta (8/1) após a delegada esquecer um notebook em seu carro
atualizado
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A coluna apurou, com exclusividade, que a delegada da Polícia Federal (PF) que, supostamente, acusou um motorista de aplicativo de extorsão após ter esquecido um notebook em seu carro é Dominique de Castro Oliveira (foto em destaque).
A mulher figura no centro de uma polêmica após deixar o dispositivo eletrônico no carro do motorista, identificado como Pedro Herik da Costa, de 26 anos. Conforme o relato do motorista, ela teria se recusado a pagar a taxa de deslocamento no valor de R$ 50 que ele estabeleceu para devolver o objeto perdido.
Esta não é a primeira vez que o nome da autoridade policial aparece na imprensa. Em dezembro de 2021, Dominique saiu do cargo que ocupava na Interpol. À época, ela havia atuado, há pouco, no caso do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.
A delegada foi a terceira pessoa a perder o cargo após atuar no processo de extradição do bolsonarista.
Após a decisão, ela foi transferida para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde ocorreu a confusão com o motorista no último dia 8.
O caso
O motorista de aplicativo foi detido por investigadores da Polícia Federal (PF) na última quinta (8/1), após Dominique esquecer um notebook em seu carro depois de solicitar uma corrida do Setor Hoteleiro para o Aeroporto Internacional de Brasília.
Após concluir a viagem, Pedro teria aceitado uma segunda viagem com destino ao mesmo local de onde havia saído anteriormente. Durante o trajeto, percebeu a presença de uma pasta no banco traseiro do veículo e supôs que a mulher tivesse esquecido o objeto.
Pouco depois, o motorista passou a receber diversas ligações. Ao atender, confirmou que estava com o notebook, mas afirmou que precisaria finalizar a corrida em andamento antes de retornar ao aeroporto. Ele também informou que cobraria R$ 50 pelo deslocamento necessário para devolver o equipamento.
Segundo o relato do motorista, a delegada teria se recusado, de imediato, a pagar o valor, alegando que estaria sendo vítima de extorsão. Diante da negativa, o homem teria enviado uma mensagem explicando que o Código Civil prevê, inclusive, o recebimento de 5% sobre itens achados, mas que ele cobraria apenas a taxa de deslocamento.
Ele também ressaltou que a orientação da plataforma para a qual trabalha é deixar objetos esquecidos na delegacia mais próxima, em vez de devolvê-los diretamente ao proprietário.
Apesar disso, o motorista afirma que se dirigiu ao local combinado. No momento da entrega do notebook, porém, ele teria sido surpreendido por agentes da PF e conduzido à delegacia do aeroporto, onde teria sido identificado e, posteriormente, encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Na unidade policial, o motorista declarou que nunca havia sido detido anteriormente e que apenas solicitou que a delegada arcasse com a taxa referente ao deslocamento. Ele também apresentou o áudio que afirma ter enviado à delegada durante a discussão.
“Aí, tá a lei pra senhora. Caso a senhora não conheça ou desconheça essa lei, a lei tá aí, tá? Eu tô fazendo só meu papel de devolver; Tem muito cara aí pilantra aí, que se esquecesse no carro deles, eles te roubavam, mas eu sou honesto, gosto de devolver as coisas pra todo mundo que entra no meu carro, parceira, entendeu? Aí você quer taxar os outros de menino, ninguém é menino, não. A senhora pode ser Polícia Federal, a senhora pode ser Presidente…”, disse o motorista no áudio, antes de chegar ao aeroporto.
O motorista foi liberado após prestar depoimento, mas foi bloqueado na plataforma após a denúncia de extorsão.
Investigação
A coluna entrou em contato com a Polícia Federal. Por meio de nota, a corporação informou que, durante a devolução, o motorista teria desacatado os policiais federais presentes no local.
“Ele foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal para esclarecimentos, sem prisão ou uso de algemas”, afirmou a PF.
Uma investigação será instaurada para a apuração de eventuais crimes cometidos.
A coluna tenta localizar a delegada. O espaço segue aberto.












