
Mirelle PinheiroColunas

Entenda a ligação da família Daniel Vorcaro no caso do Banco Master
Segundo a PF, todos são investigados por suposta participação em operações financeiras fraudulentas
atualizado
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A Polícia Federal (PF) incluiu familiares diretos do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, como alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (14/1).
Além do próprio banqueiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra a irmã dele, Natália Vorcaro, o cunhado Fabiano Zettel, o pai Henrique Vorcaro e um primo, Felipe Cançado Vorcaro.
Segundo a PF, todos são investigados por suposta participação em operações financeiras fraudulentas que teriam como objetivo desviar recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal da família.
Suspeita de ocultação patrimonial
Um dos principais eixos da apuração envolve o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro. De acordo com investigadores, há indícios de que ele teria ajudado a dissimular bens e valores atribuídos a Daniel Vorcaro, utilizando empresas e pessoas ligadas ao núcleo familiar para ocultar a real origem dos recursos.
As suspeitas surgiram a partir da análise de documentos, movimentações financeiras e investimentos considerados incompatíveis com a estrutura operacional das empresas envolvidas.
Clínica sob suspeita
Ainda na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu buscas em Minas Gerais, inclusive na Clínica Mais Médicos, em Contagem (MG).
A empresa recebeu R$ 361 milhões em investimentos, mas, segundo as apurações, funciona em uma estrutura física considerada pequena para o volume financeiro movimentado.
A clínica é investigada por sido uma das empresas que receberam recursos do Banco Master por meio de operações financeiras consideradas atípicas.
Prisão do cunhado e decisão do STF
O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando se preparava para embarcar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A prisão temporária foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso.
No despacho, Toffoli classificou a medida como “imprescindível” para o avanço das investigações, destacando que a liberdade do investigado poderia comprometer a coleta de provas.
O ministro também determinou a apreensão dos passaportes de Zettel e proibiu sua saída do país enquanto durar o inquérito.
Além disso, foi autorizada a busca em pertences pessoais e bagagens, com foco na apreensão de celulares, dispositivos eletrônicos e valores eventualmente transportados. Zettel acabou liberado após o cumprimento das diligências.
Investigações anteriores da CVM
A inclusão de familiares de Vorcaro na investigação da PF reforça suspeitas que já vinham sendo analisadas por outros órgãos.
Em agosto, a Comissão de Valores Mobiliários abriu procedimento para apurar investimentos de R$ 1,2 bilhão do Banco Master em empresas ligadas a Natália Vorcaro, irmã do banqueiro e mulher de Zettel.
Os aportes teriam sido feitos por meio da compra de notas comerciais, adquiridas pelo fundo Jade — posteriormente rebatizado de City 02 — e registradas pela Laqus Depositária.
Para a CVM, havia indícios de que as operações teriam sido estruturadas artificialmente, com o objetivo de fazer o dinheiro retornar ao círculo familiar do controlador do banco.
Nova fase
Segundo a Polícia Federal, a nova fase da Compliance Zero foi deflagrada após a identificação de “novos ilícitos”, expressão usada pelo ministro Dias Toffoli ao autorizar as medidas.
Com isso, os investigadores ampliaram o foco para além da gestão do banco, passando a examinar a atuação de familiares e empresas ligadas ao grupo.
No total, a operação cumpre 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Durante as diligências, foram apreendidos dinheiro em espécie, carros de luxo, joias, relógios e uma arma de fogo.
As investigações apuram crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele segue colaborando com as autoridades e que confia no esclarecimento dos fatos.













