Mirelle Pinheiro

“Quadrilha do ouro”: delegado foi abordado pela PF em avião. Siga no YouTube

Conforme a coluna revelou, ele é o principal alvo da Operação Cartucho de Midas, contra o contrabando de ouro, deflagrada nesta quinta (4)

atualizado

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1 de 1 PF - Foto: Arquivo

A coluna teve acesso a imagem que mostra o momento em que o delegado da Polícia Civil do Amapá Charles Corrêa (foto em destaque) é abordado por investigadores da Polícia Federal (PF), ainda dentro do avião, no aeroporto de Belém (PA). Conforme a coluna revelou, ele é o principal alvo da Operação Cartucho de Midas, contra o contrabando de ouro, deflagrada na manhã desta quinta-feira (4/12).

Além do delegado, um agente da Polícia Civil também é alvo. Na empresa da irmã do investigador, os policiais localizaram mais de R$ 1 milhão e mais de 25 mil euros. Uma outra pessoa foi presa em flagrante com arma de fogo.

Formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em nutrição na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Corrêa estava viajando do Rio para Belém no momento em que a operação foi deflagrada.

De acordo com as investigações, o esquema criminoso de contrabando de ouro envolvia corrupção e lavagem de dinheiro com ramificações no Amapá e no Rio de Janeiro.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Oiapoque, Macapá e na capital fluminense, além do afastamento cautelar de Charles Corrêa e outro policial civil.

A investigação teve início após a PF identificar movimentações financeiras atípicas, incompatíveis com a renda dos suspeitos.

O rastreamento bancário apontou que joalherias de diversos estados transferiam quantias elevadas para um posto de combustíveis em Oiapoque, localizado na região de fronteira.

Logo depois, o dinheiro era repassado a um agente público da cidade, criando forte indício de dissimulação de valores provenientes do comércio ilegal de ouro.

Lavagem via postos e empresas de fachada

Segundo a PF, o posto de gasolina funcionava como ponto de dispersão dos recursos, repassando o dinheiro a servidores e empresas vinculadas ao esquema.

As diligências também apontaram movimentações superiores a R$ 4,5 milhões feitas por funcionários públicos sem qualquer justificativa econômica plausível.

Além disso, o grupo utilizava empresas de fachada para mascarar a origem dos ativos e reinserir o dinheiro no sistema financeiro de forma aparentemente lícita.

Os dois servidores afastados nesta fase são investigados por supostamente integrar o núcleo responsável por dar “cobertura institucional” às atividades ilícitas.

Crimes e penas

Os investigados poderão responder por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato.

Somadas, as penas podem ultrapassar 60 anos de prisão.

A operação contou com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Amapá, garantindo o cumprimento das ordens judiciais mesmo contra agentes da própria corporação.

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