
Mirelle PinheiroColunas

Preso com R$ 40 milhões em cocaína é condenado a pena alternativa. Veja vídeo
A abordagem foi realizada por equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco)
atualizado
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Um motorista preso em flagrante transportando 419 quilos de cocaína teve a pena convertida em medidas alternativas pela Justiça Federal em Minas Gerais. A droga é avaliada em cerca de R$ 40 milhões.
A decisão é do juiz federal José Humberto Ferreira, da 1ª Vara Federal Criminal de Uberlândia (MG), que condenou Nerivaldo do Prado Nery a dois anos, três meses e seis dias de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 226 dias-multa.
Na mesma sentença, o magistrado determinou a substituição da pena de prisão por duas penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade e pagamento de R$ 10 mil.
Flagrante
De acordo com o processo, Nerivaldo foi preso em 3 de dezembro de 2025, por volta das 10h45, na rodovia MGC-497, entre os municípios de Honorópolis e Campina Verde (MG).
A abordagem foi realizada por equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) após trabalho de inteligência que indicava que o caminhão poderia estar transportando entorpecentes.
O motorista conduzia um caminhão bitrem Volvo FH 540, carregado com minério de ferro. Durante a fiscalização, os policiais localizaram 419 kg de cocaína escondidos em tabletes dentro de sacos pretos sob uma lona, na caçamba do semirreboque.
Segundo a investigação, a droga teria sido colocada no caminhão cerca de 50 quilômetros antes de Corumbá (MS), região de fronteira com a Bolívia, antes mesmo de o veículo seguir para carregar o minério. O destino final do entorpecente seria a cidade de Bambuí (MG).
O próprio motorista confessou que aceitou transportar a carga mediante pagamento de R$ 5 mil.
Condenação
Na sentença, o juiz concluiu que ficou comprovado o crime de tráfico transnacional de drogas.
Durante a dosimetria da pena, o magistrado destacou que a quantidade de cocaína apreendida — 419 kg — é expressiva, representando maior reprovabilidade da conduta e potencial lesivo à saúde pública.
Ele também concluiu que ficou comprovado o crime de tráfico transnacional de drogas, destacando a grande quantidade de entorpecente transportada.
Mesmo assim, o juiz reconheceu que o réu era primário, possuía bons antecedentes e não havia prova de vínculo com organização criminosa, classificando-o como um transportador eventual, conhecido como “mula”. Aplicou, portanto, o benefício do chamado tráfico privilegiado.
Repercussão
A decisão repercutiu entre profissionais da área de segurança pública e investigação policial, principalmente por envolver uma das maiores apreensões de cocaína da região, com carga estimada em cerca de R$ 40 milhões, e resultar em pena substituída por medidas alternativas.
No meio policial, casos envolvendo centenas de quilos de cocaína normalmente resultam em penas superiores a cinco anos de prisão, especialmente quando há indícios de tráfico transnacional.
