Mirelle Pinheiro

Policial apontado como líder da “A Turma” é transferido para Penitenciária Federal de Brasília

Marilson Roseno da Silva foi preso em nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF, nessa quinta-feira (14/5)

atualizado

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1 de 1 whatsapp-image-2026-05-15-at-131934_3x2 - Foto: Reprodução/TV Globo

O policial aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, preso em nova fase da operação do banco Master deflagrada pela Polícia Federal (PF), foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília na tarde desta sexta-feira (15/5).

A transferência foi autorizada pela Justiça nessa quinta-feira (14/5), mesma data em que policial foi preso.

Marilson é apontado pela PF como um dos integrantes da chamada “A Turma” do núcleo do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo os investigadores, ele atuava como um dos principais operadores do grupo, utilizando experiência e contatos da carreira policial para obtenção de informações sensíveis e acompanhamento de alvos.

Operação

O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, também é um dos alvos da operação realizada nessa quinta-feira (14) pela PF. Segundo apurou a coluna, ele será encaminhado ao Centro de Remanejamento Gameleira em Minas Gerais após audiência de custódia.

Também permanecerá preso no estado Rodrigo Pimenta Franco, apontado nas investigações como hacker ligado ao grupo investigado pela PF.

A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, organização criminosa e violação de sigilo funcional.

Na decisão, Mendonça reproduziu diálogos atribuídos a Henrique Vorcaro e ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pela investigação como integrante do núcleo chamado “A Turma”.

Segundo a PF, o grupo funcionava como uma estrutura clandestina voltada à proteção dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master, envolvendo monitoramento, obtenção de informações sigilosas e intimidação de adversários.

O despacho afirma que as mensagens encontradas no celular de Marilson indicam que Henrique “permaneceu solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo”.

Em um dos trechos reproduzidos na decisão, Marilson cobra pagamentos e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”. Henrique responde que receberia recursos “na quinta ou sexta-feira” e enviaria “imediatamente” “400”. Segundo a decisão, Marilson rebate dizendo que o ideal seria “800k”.

Outro trecho citado pelo ministro trata da suposta divisão mensal de valores entre integrantes da estrutura investigada.

“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma”, diz a mensagem atribuída a Marilson Roseno.

Segundo André Mendonça, os diálogos “evidenciam uma relação estável de troca: Henrique financiava o grupo e, em contrapartida, utilizava-se de seus serviços ilícitos”.

A decisão também aponta que as conversas entre Henrique e Marilson teriam sido apagadas do aparelho do policial aposentado. A PF afirma ainda ter identificado troca frequente de números telefônicos e uso de linha estrangeira registrada na Colômbia.

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