Mirelle Pinheiro

PMs de UPP pediram “moral” a Doca e receberam R$ 200 para almoço

Uma conversa registrada no WhatsApp revela que militares pediram ajuda ao traficante para pagar a “alimentação”

atualizado

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No material obtido pela Polícia Civil no âmbito da operação deflagrada nesta quarta-feira (11/3) contra o Comando Vermelho (CV), investigadores encontraram uma conversa que chama atenção. Após a quebra do sigilo telemático de celulares usados por Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos traficantes mais procurados do país, apareceu um diálogo de 3 de março de 2025 em que policiais militares da UPP da Praça do Inter, no Complexo da Penha, fazem um pedido comprometedor ao líder da facção.

O diálogo revela que os militares solicitaram ao traficante uma “moral” para custear a “alimentação”. A ponte foi feita pelo faccionado Washington Cesar Braga da Silva, mais conhecido como o Grande.

Em outra conversa, Grande repassou a solicitação a Doca, que, por sua vez, autorizou o pagamento, orientando o criminoso a sacar o valor de R$ 200 com um terceiro criminoso cujo codinome trata-se de “Cachorro”.

Apreensão fake

Esta, porém, não foi a única vez que militares armaram conluio com os bandidos. A coluna apurou que uma conversa também obtida por meio de quebra de sigilo, registradas em 13 de março de 2025 expõe que um major, oficial superior da Polícia Militar do RJ (PMERJ), teria telefonado para o Grande, solicitando o fornecimento de drogas com o objetivo de simular uma ocorrência policial de apreensão.

Conforme o traficante repassou a Doca, a ligação teria ocorrido após o major ter sido cobrado pela Coordenação de Polícia Pacificadora (CPP).

O contato feito via ligação de voz, e não por mensagem escrita, demonstra, segundo a investigação coordenada pelos delegados Vinicius Miranda de Moraes e Pedro Cassundé, a preocupação do oficial em não deixar rastros digitais de escritas ou áudio da tratativa ilícita, reforçando a suspeita de conluio deliberado entre agentes públicos da UPP da Vila Cruzeiro e o tráfico local.

No diálogo, Doca consente com a solicitação feita pelo major e orienta Grande a buscar 70 kg de maconha com um faccionado conhecido pelo vulgo “Deu”, instruindo-o a lembrar o homem que a droga seria a maconha já separada para apreensão simulada.

A ocorrência orquestrada na conversa do dia 13 de março ocorreu apenas no dia 19. Na data, Grande avisou Doca que alguém “agradeceu”, além de encaminhar um vídeo da apreensão realizada pela equipe da PMERJ, exibindo grande quantidade de entorpecentes e um simulacro de fuzil desmontado.

De acordo com o laudo, mais de 60 kg de maconha e mais de dois kg de cocaína foram apreendidos, quantidade equivalente à autorizada por Doca na conversa com Grande registrada no dia 13 de março, logo após o pedido feito pelo Major.

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