PM morto no Rio foi filmado dançando funk com fuzil e gritando "é o CV".
Investigação da Polícia Civil sobre esquema ligado ao CV encontrou vídeos e mensagens que indicam a relação de Yuri Luiz com a facção

Imagens encontradas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) durante a análise dos dados do celular do terceiro-sargento da Polícia Militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro (foto em destaque), morto a tiros em julho deste ano, mostram o policial ao lado de uma das lideranças do Comando Vermelho (CV), além de outros registros dele dançando funk com armas de fogo e gritando o nome da facção criminosa.
Os arquivos foram analisados no âmbito da operação deflagrada nessa terça-feira (13/10), que apura a participação de policiais militares em um esquema de tráfico de drogas e armas para o CV no Rio.
Em uma das imagens encontradas no dispositivo de Yuri, o policial aparece ao lado de Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista e apontado pelos investigadores como uma das lideranças da facção no Complexo da Penha. Ele também é um dos alvos da operação dessa terça-feira e, de acordo com a investigação, participava da aquisição de drogas e armamentos destinados ao CV.
Já em outro vídeo, o policial aparece deitado no chão, segurando uma pistola, enquanto diz: “[inaudível] Tiro pro alto. É o CV, caralho.”
Ele também foi filmado dançando funk com armas na mão em outra gravação.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroMensagens extraídas do aparelho ainda mostram Yuri oferecendo armas e carregadores a Paulista, além de fazer menção a um suposto “bico” e “vários carregadores”.
Além disso, ele aparece em outros momentos vivendo uma vida de luxo, como passeios de lancha, consumindo combos de bebidas, e ostentando notas de dinheiro em espécie. Em mais um registro ele diz: “Vem cara, vem pegar o dinheiro comigo. Tá aqui ó. Quer dinheiro? Quer quanto?”.
Investigação
Yuri era lotado no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Em outubro de 2023, ele foi preso em flagrante com Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko, enquanto transportava mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.
A prisão deu início às investigações sobre uma rede de abastecimento de drogas e armas para o CV. Com o avanço das apurações, a polícia identificou outros suspeitos de integrar a estrutura criminosa, que segundo os investigadores, atuava de forma coordenada na aquisição, transporte e distribuição de entorpecentes e armamentos.
Também foi apontada a participação de policiais militares que, conforme os elementos reunidos pela DRE, teriam usado a condição de agentes de segurança pública para colaborar com integrantes da facção, inclusive por meio do fornecimento de informações privilegiadas e de negociações clandestinas de armas e munições.
Entre os denunciados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios.
Outro investigado é Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, apontado como liderança do tráfico de drogas em comunidades de São João de Meriti. Segundo a polícia, ele mantinha vínculos com integrantes da estrutura criminosa e recebia informações privilegiadas sobre operações policiais, repassadas por Yuri.
Foram identificados também Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como Do Serrão. De acordo com a PCERJ, eles integravam o braço armado da facção e exerciam funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial.
Morte
Yuri foi assassinado em 12 de julho deste ano, quando chegava ao condomínio onde morava, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele foi atingido por diversos disparos de arma de fogo.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Uma das suspeitas apuradas é de que o policial tenha sido executado pelo próprio CV.












