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Mirelle Pinheiro

Esquema de tráfico com PMs ligados ao CV é alvo de operação no Rio.

Investigações começaram em 2023, após prisão de um policial militar e outro suspeito com mais de 100 kg de cocaína na Avenida Brasil

13/10/2026 07:48, atualizado 13/10/2026 07:57
Material cedido ao Metrópoles
Esquema de tráfico com PMs ligados ao CV é alvo de operação no Rio

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagra, nesta terça-feira (13/10), uma operação para desarticular um esquema de tráfico de armas e drogas com a participação de policiais militares ligados ao Comando Vermelho (CV) no Rio. Até a mais recente atualização desta reportagem, três pessoas haviam sido presas.

Investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-CAP), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e a Corregedoria da Polícia Militar, cumprem mandados de prisão expedidos pelo Juízo da 16ª Vara Criminal da Comarca da Capital.

As investigações tiveram início em outubro de 2023, quando policiais civis da DRE prenderam em flagrante o então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”, durante o transporte de uma carga de mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.

O aprofundamento das investigações revelou que o episódio não representava uma atuação isolada. Segundo os elementos reunidos pela DRE, os envolvidos integravam uma estrutura criminosa responsável pela aquisição, pelo transporte e pela distribuição de grandes quantidades de entorpecentes e armamentos destinados ao CV, com divisão de tarefas e atuação coordenada entre seus integrantes.

Os envolvidos

Segundo a PCERJ, as investigações apontaram que Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”, desempenhava papel relevante na articulação logística do tráfico de drogas, mantendo contato direto com lideranças do CV para viabilizar o transporte e o abastecimento de entorpecentes em áreas dominadas pela facção.

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A investigação também revelou a atuação de Manoel Cinquine Pereira, conhecido como “Paulista”, identificado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Ele participaria da articulação de atividades relacionadas à aquisição e à distribuição de drogas e armamentos, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da facção criminosa.

Policiais militares foram identificados como integrantes do esquema. Eles teriam colocado sua condição de agentes de segurança pública a serviço de atividades ilícitas, atuando em colaboração com integrantes da organização criminosa, inclusive por meio do fornecimento de informações privilegiadas e do envolvimento em negociações clandestinas de armamentos e munições.

Entre os denunciados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios.

Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels” e apontado como liderança do tráfico de drogas em diversas comunidades de São João de Meriti, também foi identificado no esquema. Segundo a polícia, ele mantinha vínculos com integrantes da estrutura criminosa e recebia informações privilegiadas sobre operações policiais, repassadas pelo policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro.

Outros três denunciados, Paulo Victor Soares de Melo; Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”, foram identificados como integrantes do braço armado da facção criminosa.

De acordo com as investigações, eles exerciam funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial, mediante o emprego de armas de fogo, contribuindo para a manutenção do domínio criminoso nas áreas de atuação do Comando Vermelho.

PM investigado foi morto

O policial militar Yuri Luiz, cuja prisão deu início às investigações, foi assassinado em 12 de julho deste ano, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá.

Segundo a PCERJ, ele foi atingido por diversos disparos de arma de fogo quando chegava ao condomínio onde residia. O homicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Embora Yuri tenha sido um dos principais alvos da investigação que deu origem à operação, sua morte não interrompeu as apurações, que permitiram identificar outros envolvidos e aprofundar a investigação sobre a atuação de agentes públicos em benefício do crime organizado.