Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

Piscina e geladeira lotada de cerveja: "rooftop do tráfico" é demolido

As construções do CV ocupavam cerca de 2 mil m² na localidade conhecida como Dionéia, no Rio de Janeiro, e contavam com até 7 andares

26/06/2025 08:38, atualizado 26/06/2025 12:12
Compartilhar notícia
TV Globo/Reprodução
Cobertura do crime: PF derruba "rooftop do tráfico" usado por chefes do CV na Rocinha

Geladeiras lotadas de cerveja, piscina com vista para o mar de São Conrado, varanda gourmet e acabamento de alto padrão. Essa era a rotina dos chefes do Comando Vermelho (CV) do Ceará escondidos em uma cobertura irregular na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro. A ostentação, no entanto, veio abaixo na manhã desta quinta-feira (26/6), quando uma força-tarefa iniciou a demolição de três prédios construídos sem autorização pelo braço da facção nordestina instalado na favela.

Batizado pelos investigadores de “rooftop do tráfico”, o espaço de luxo era um dos esconderijos de Anastácio Paiva Pereira, o Paizão, apontado como líder do CV no Norte do Ceará. De lá, ele e outros criminosos coordenavam uma rede de execuções e tráfico de drogas responsável por mais de mil mortes em território cearense nos últimos dois anos, segundo o Ministério Público.

Piscina e geladeira lotada de cerveja: “rooftop do tráfico” é demolido - destaque galeria
4 imagens
Batizado de “rooftop do tráfico”, o espaço de luxo era um dos esconderijos de Anastácio Paiva Pereira, o Paizão
 Além do risco de desabamento por terem sido erguidas sobre encostas desmatadas, os imóveis funcionavam como bases logísticas e abrigo para criminosos armados
Relatórios da inteligência apontam a presença de cerca de 70 fuzis nas edificações, arrendadas por foragidos do Ceará
As construções ocupavam uma área de cerca de 2 mil m², na localidade conhecida como Dionéia
1 de 4

As construções ocupavam uma área de cerca de 2 mil m², na localidade conhecida como Dionéia

TV Globo/Reprodução
Batizado de “rooftop do tráfico”, o espaço de luxo era um dos esconderijos de Anastácio Paiva Pereira, o Paizão
2 de 4

Batizado de “rooftop do tráfico”, o espaço de luxo era um dos esconderijos de Anastácio Paiva Pereira, o Paizão

TV Globo/Reprodução
 Além do risco de desabamento por terem sido erguidas sobre encostas desmatadas, os imóveis funcionavam como bases logísticas e abrigo para criminosos armados
3 de 4

Além do risco de desabamento por terem sido erguidas sobre encostas desmatadas, os imóveis funcionavam como bases logísticas e abrigo para criminosos armados

TV Globo/Reprodução
Relatórios da inteligência apontam a presença de cerca de 70 fuzis nas edificações, arrendadas por foragidos do Ceará
4 de 4

Relatórios da inteligência apontam a presença de cerca de 70 fuzis nas edificações, arrendadas por foragidos do Ceará

TV Globo/Reprodução

As construções ocupavam uma área de cerca de 2 mil m², na localidade conhecida como Dionéia, e contavam com até sete andares. Além do risco de desabamento por terem sido erguidas sobre encostas desmatadas, os imóveis funcionavam como bases logísticas e abrigo para criminosos armados. Relatórios da inteligência apontam a presença de cerca de 70 fuzis nas edificações, arrendadas por foragidos do Ceará.

A estimativa da Prefeitura do Rio é que as obras ilegais tenham custado ao menos R$ 6 milhões, financiados com dinheiro do tráfico. O padrão das construções, com áreas de lazer, banheiros revestidos e cozinhas planejadas, destoava da paisagem da comunidade.

A operação conjunta reuniu o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema/MPRJ), a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), a Polícia Militar, o Ministério Público do Ceará e a Polícia Civil cearense. Segundo o MP, 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão foram expedidos, incluindo o sequestro de bens dos investigados.

No fim de maio, uma ação semelhante na mesma região flagrou dezenas de criminosos fugindo em comboio pela mata da Rocinha. A ação desta quinta busca desarticular a base carioca do CV cearense, que utilizava o Rio como quartel-general para comandar execuções a distância no Nordeste.