
Mirelle PinheiroColunas

PF investiga grupo que recrutava policiais para contrabando
Operação Iscariotes cumpre prisões, afastamentos e bloqueia R$ 40 milhões
atualizado
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A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira (18/3), a Operação Iscariotes, que mira uma organização criminosa suspeita de recrutar agentes de segurança pública para atuar em esquemas de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e outros crimes.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS) e contou com o cumprimento de cerca de 90 ordens judiciais em diferentes estados.
Segundo as investigações, o grupo era especializado na importação irregular de eletrônicos de alto valor, sem documentação fiscal e fora dos controles aduaneiros. Após a entrada ilegal no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande (MS) e enviados para outras unidades da Federação, principalmente Minas Gerais.
Para driblar a fiscalização, os investigados utilizavam veículos adaptados com compartimentos ocultos e faziam o transporte das mercadorias misturadas a cargas lícitas.
As apurações também apontaram a atuação direta de agentes de segurança pública, tanto da ativa quanto aposentados. De acordo com a PF, esses agentes teriam fornecido informações sigilosas obtidas em sistemas oficiais, além de participar do transporte das cargas ilegais, utilizando a função pública para facilitar a ação do grupo.
A Justiça Federal autorizou quatro prisões preventivas, além de 31 mandados de busca e apreensão, afastamento de dois servidores públicos, uso de tornozeleira eletrônica para um investigado e suspensão do porte de arma de seis envolvidos.
Também foi determinado o bloqueio de até R$ 40 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas, incluindo o sequestro de imóveis, veículos e a suspensão de atividades empresariais.
A operação mobilizou mais de 200 policiais federais e ocorreu nas cidades de Campo Grande e Dourados (MS), além de Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros (MG). A ação contou ainda com apoio de corregedorias de forças de segurança.
