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Mirelle Pinheiro

Oncoclínicas: polícia indicia executivos do Goldman Sachs por fraude

A Polícia Civil de São Paulo diz que representantes participaram de estratégias para esconder quem era dono de parte da Oncoclínicas

10/08/2026 19:24, atualizado 10/08/2026 19:25
Reprodução
Imagem colorida do Goldman Sachs

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois representantes do banco de investimentos Goldman Sachs por estelionato e fraude em sociedade por ações em uma investigação sobre a abertura de capital da Oncoclínicas.

Segundo o documento obtido pela coluna, Felipe Guerra Acosta — superintendente executivo de investimento do Goldman Sachs Brasil —, e Natan Lima Reinig — procurador dos fundos Josephina I e II e integrante do Conselho de Administração da Oncoclínicas — tiveram “participação consciente” em uma estratégia que teria levado a erro a empresa, a CVM, a B3 e acionistas sobre quem tinha uma participação relevante na companhia.

A investigação começou a partir de uma mudança na versão apresentada sobre os donos de uma parte da Oncoclínicas.

De acordo com o despacho, o Goldman Sachs informou ao mercado que era dono indireto de 100% dos fundos Josephina I e II, que tinham participação na companhia.

Na época, no entanto, o texto afirma que não havia, no Prospecto Definitivo do IPO — documento que reúne as principais informações sobre a empresa e a oferta de ações ao mercado —, qualquer referência ao fundo estrangeiro Centaurus como titular dessa participação.

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Em novembro de 2024, o banco apresentou uma nova versão. Em uma carta enviada à Oncoclínicas, os dois representantes disseram que o fundo já tinha uma participação indireta relevante na empresa.

Eles também afirmaram que a criação de um terceiro fundo, o Josephina III, teria ocorrido para separar os investimentos ligados à Centaurus.

Segundo eles, por causa dessa mudança, não seria necessário fazer uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), que consiste em uma proposta para comprar as ações dos demais acionistas.

Depoimento

Em depoimento, Felipe Guerra afirmou que a Centaurus detinha participação desde 2017. No entanto, ele admitiu nunca ter tido acesso aos documentos que comprovassem desde quando o fundo estrangeiro seria investidor da Oncoclínicas.

Já Natan Lima justificou sua atuação dizendo que apenas assinava documentos preparados pelo departamento jurídico dos fundos.

A polícia considerou que a versão sobre a Centaurus só apareceu quando uma mudança na participação dos fundos poderia gerar a obrigação de realizar a OPA.

Para o delegado, essa versão era incompatível com as informações que o Goldman Sachs havia apresentado anteriormente ao mercado.

Com isso, segundo a investigação, a oferta não foi realizada e foi possível manter uma participação acima do limite previsto no estatuto da empresa sem o pagamento correspondente. A polícia afirma que isso causou prejuízos aos acionistas minoritários.

O delegado concluiu que existem elementos, em tese, de que Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig participaram conscientemente da estratégia para induzir as partes envolvidas a erro e dar aparência de legitimidade à versão de quem tinha participação companhia.

A coluna tentou contato com o banco, mas não obteve retorno até a última atualização. O espaço segue aberto.