MP denuncia mulher por enterrar cadela viva: “Extrema desumanidade”
A cadela foi resgatada em estado grave em 6 de fevereiro deste ano. MP aponta maus-tratos contra a cadela prenha e seus quatro filhotes

A 21ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou, nessa segunda-feira (6/7), uma mulher por maus-tratos contra a cadela Bonnie, encontrada em estado gravíssimo após ser enterrada viva, em 6 de fevereiro deste ano. O órgão pede a responsabilização penal da denunciada e o pagamento de R$ 41,9 mil por danos causados ao animal.
O caso gerou comoção. Bonnie, que estava prenha, foi enterrada viva e deixada com apenas a cabeça para fora da terra em um condomínio de Joinville (SC). Na ocasião, moradores se mobilizaram para resgatar o animal e providenciar atendimento veterinário de emergência.
Segundo o MPSC, a mulher é acusada de participar do enterramento da cadela e foi denunciada pelos crimes de maus-tratos contra o animal e seus filhotes, além de corrupção de menores, em razão da participação de adolescentes na ocorrência.
De acordo com a denúncia, a acusada teria agido em conjunto com outros envolvidos. O grupo teria submetido Bonnie a intenso sofrimento físico e térmico, em uma situação classificada pelo Ministério Público como de extrema crueldade.
As investigações apontaram que a cadela só sobreviveu porque moradores ouviram seus latidos e conseguiram retirá-la da cova a tempo de receber atendimento veterinário.
Conforme a denúncia, a ação atingiu diretamente Bonnie e os quatro filhotes que ela gestava. Dois nasceram vivos, Bella e Stella, enquanto Beca e Billy morreram em decorrência dos maus-tratos.
A promotora de Justiça Simone Cristina Schultz, autora da ação, afirmou que “o caso demanda resposta penal proporcional à brutalidade praticada, pois a conduta da denunciada se enquadra no crime de maus-tratos previsto na Lei de Crimes Ambientais”.
“A cusada agiu com extrema desumanidade, tendo submetido a canina a intenso e prolongado sofrimento físico e psíquico, em contexto de absoluta vulnerabilidade, inclusive por se tratar de animal prenha de quatro filhotes, circunstância que evidencia o agravamento das consequências da ação e eleva significativamente o grau de reprovabilidade da conduta”, acrescentou.
Ainda segundo os autos, um relatório médico-veterinário anexado à investigação apontou que Bonnie apresentou quadro grave de choque associado à hipertermia, com temperatura corporal de 40,7 ºC, além de comprometimentos neurológicos e sistêmicos.
Os exames também identificaram terra na gengiva, na língua e nas unhas da cadela, evidenciando que ela foi soterrada viva e tentou escapar da cova.
Além de oferecer a denúncia, o MPSC deixou de propor um acordo de não persecução penal por entender que o caso envolve violência extrema contra um animal senciente, circunstância que torna inadequada a aplicação do benefício diante da gravidade concreta dos fatos.




