Monitoramento identifica crianças de 9 anos em grupos extremistas
Pelo menos 132 suspeitos de envolvimento com crimes ligados ao extremismo foram identificados em 21 unidades da Federação somente neste ano

Entre os suspeitos de envolvimento com crimes digitais ligados ao extremismo, ao discurso de ódio e à incitação à violência identificados pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), já foi constatada a presença de crianças de apenas nove anos entre os participantes dos grupos monitorados.
Em entrevista à coluna, o delegado Paulo Henrique Benelli, coordenador do Ciberlab, órgão que presta suporte técnico e de inteligência às polícias de todo o país, afirmou que os investigados costumam ter entre 9 e 35 anos.
Segundo ele, adolescentes frequentemente atuam na disseminação e no reforço de conteúdos violentos.
Pelo menos 132 suspeitos de envolvimento com crimes digitais ligados ao extremismo, ao discurso de ódio e à incitação à violência foram identificados em 21 unidades da Federação entre janeiro e maio deste ano.
No período, foram deflagradas ao menos 10 operações policiais, com maior concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A operação mais recente da Polícia Federal (PF) ocorreu na última sexta-feira (19/6), em Jaraguá (GO), e mirou um adolescente suspeito de coordenar, a partir de um computador, grupos voltados à propagação de conteúdos extremistas e ao incentivo à prática de crimes.
O papel do Ciberlab
Segundo o delegado, o laboratório utiliza tecnologia para identificar autores de crimes na internet e auxiliar na desarticulação de grupos criminosos, além de atuar na prevenção de ataques a escolas e outros crimes digitais.
O núcleo especializado monitora conteúdos extremistas no ambiente digital, incluindo atividades na deep web, na dark web e em grupos públicos abertos, com o objetivo de identificar ameaças, mapear a disseminação de discursos violentos e detectar possíveis articulações criminosas em plataformas on-line.
O rastreio dos suspeitos começa com o monitoramento de ambientes digitais abertos e fechados, além de informações enviadas por plataformas digitais e organismos internacionais. Esses dados são analisados e cruzados pelo núcleo especializado, que os consolida em relatórios de inteligência.
Com base nesses relatórios, as informações são encaminhadas às polícias responsáveis, que deflagram as operações, como aconteceu com as 10 ações realizadas no país apenas neste ano, todas com o apoio do Ciberlab.




