
Mirelle PinheiroColunas

“Meu estilo de vida”, diz amiga que abandonou jovem no Pico Paraná
O jovem havia subido o Pico Paraná na virada do ano com a amiga para assistir ao nascer do sol do primeiro dia de 2026
atualizado
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Thayane Smith, amiga de Roberto Farias Thomaz – jovem de 19 anos que desapareceu no Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil –, confirmou que deixou o rapaz sozinho durante a descida da trilha e pontuou que a decisão foi tomada por ela porque fazia parte de seu “estilo de vida”. Destacou, ainda, que Roberto era “lento”.
O jovem — que foi encontrado na manhã desta segunda-feira (5/1) — havia subido o Pico Paraná na virada do ano com a amiga para assistir ao nascer do sol do primeiro dia de 2026. Durante o retorno, no entanto, os dois se separaram. Ele ficou para trás e nunca mais foi visto.
Em entrevista, a amiga afirmou que decidiu seguir sozinha após considerar o ritmo do rapaz “lento” e porque havia outras pessoas na trilha. Segundo ela, seguir em frente sem esperar o companheiro fazia parte de sua forma habitual de realizar trilhas e corridas em montanha.
A declaração não foi aceita por familiares, montanhistas experientes e equipes de resgate, que apontam que abandonar alguém debilitado em ambiente de alta montanha representa risco extremo.
Jovem passou mal durante a subida
Relatos de testemunhas indicam que o jovem apresentou sinais claros de mal-estar durante a subida, incluindo vômitos e cansaço excessivo.
Outros trilheiros chegaram a alertar a amiga sobre a necessidade de permanecer junto dele, já que o Pico Paraná é considerado um ambiente hostil, com mudanças bruscas de clima.
Mesmo assim, a jovem seguiu em ritmo acelerado e fazendo vídeos para as redes sociais. Horas depois, já no acampamento, quando outros montanhistas perguntaram pelo paradeiro do rapaz, a amiga afirmou não saber onde ele estava.
Foi a partir desse momento que o desaparecimento passou a ser tratado como emergência, e o Corpo de Bombeiros foi acionado.
Buscas seguem intensas
Na manhã desta segunda, as operações de resgate continuaram com o uso de helicópteros, drones, câmeras térmicas, rapel e equipes especializadas em ambientes verticais.
O acesso ao Parque Estadual Pico Paraná foi parcialmente interditado para não comprometer os trabalhos.
A família do jovem acompanha as buscas na base da montanha e cobra esclarecimentos detalhados sobre a conduta da amiga e a sequência exata dos fatos.



