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Mirelle Pinheiro

Mendonça afasta chefe da Inteligência da PF após apontar monitoramento

Na mesma ordem, Mendonça retirou preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da PF

08/09/2026 09:35, atualizado 08/09/2026 09:36
Reprodução
Leandro Almada

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo de Leandro Almada da Costa (foto em destaque) do cargo de diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal. A medida foi tomada após o magistrado concluir que relatórios produzidos pela estrutura de inteligência da corporação revelariam um monitoramento direcionado sobre ele e sobre o advogado-geral da União.

Almada foi afastado tanto das funções de diretor de Inteligência quanto do cargo de delegado, conforme consta na decisão. Na mesma ordem, Mendonça retirou preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.

O afastamento do chefe da Inteligência ganha relevância porque a principal controvérsia analisada por Mendonça envolve justamente relatórios produzidos dentro da Polícia Federal para avaliar a atuação do ministro e de outras autoridades.

Ao examinar o material, Mendonça classificou como de “superlativa gravidade” o que identificou na produção desses documentos e afirmou ser necessário tomar medidas imediatas para preservar as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial.

“Monitoramento e coleta dirigida”

Um dos trechos reproduzidos na decisão mostra que determinado relatório reconhecia como “baixa” a confiança agregada de uma cadeia de inferências construída pelos analistas.

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O mesmo documento, segundo Mendonça, indicava que as informações não seriam suficientes para uma “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”.

Apesar disso, a PF teria “autorizado monitoramento e coleta dirigida”.

A partir desse e de outros elementos, Mendonça afirmou que os documentos evidenciariam a realização efetiva de “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele próprio e sobre o advogado-geral da União.

O ministro também identificou referências a informações que ainda não teriam sido registradas em relatórios anteriores e a avaliações realizadas anteriormente. Para Mendonça, esses elementos indicariam que não se tratava de uma análise isolada.

30 dias

Em outro ponto da decisão, Mendonça afirma que os documentos indicariam que ele estava sendo acompanhado pela Polícia Federal havia mais de 30 dias.

O ministro cita relatórios recebidos por uma autoridade entre 3 e 31 de agosto de 2026 e conclui que o acompanhamento já estava em andamento antes desse período.

“Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal”, registrou Mendonça.

Ele classificou a situação como um “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”.

Inteligência

Os documentos que estão no centro da crise não se restringiam à análise de fatos investigados nas operações.

Relatórios da Inteligência da PF também levantaram hipóteses sobre a atuação política e institucional de Mendonça.

Um deles sustentou haver indícios de que o ministro buscaria ampliar sua influência dentro do Supremo e mencionou sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Outro documento analisou a atuação de Mendonça nas investigações dos casos Sem Desconto, relacionado às fraudes contra aposentados do INSS, e Compliance Zero, que envolve o Banco Master.

Na decisão desta terça, Mendonça questionou justamente a legitimidade de a inteligência policial produzir avaliações desse tipo sobre o exercício das funções de um ministro do Supremo.

Corregedoria

Ao determinar a retirada de Almada e Andrei de suas funções, Mendonça sustentou que o afastamento preventivo seria necessário para evitar riscos à própria apuração dos fatos.

O ministro também determinou à Corregedoria da Polícia Federal que abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar as irregularidades que afirma ter identificado.

A decisão ainda suspendeu a produção, elaboração ou compartilhamento, inclusive interno, de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados no exercício de determinadas funções institucionais.

O afastamento de Leandro Almada é preventivo e, portanto, não significa condenação ou reconhecimento definitivo de responsabilidade pela produção dos documentos. Caberá às apurações determinadas por Mendonça esclarecer a participação dos integrantes da PF na elaboração, autorização e circulação dos relatórios.