Mirelle Pinheiro

Magistrada denuncia racismo: “Sem a toga, sou só mais um corpo preto”. Veja vídeo

Em vídeo nas redes sociais, Adenir Carruesco afirmou que episódio em supermercado reflete a “lógica” racista presente na sociedade

atualizado

metropoles.com

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Reprodução/Instagram (@adenircarruesco)
Desa Adenir Carruesco
1 de 1 Desa Adenir Carruesco - Foto: Reprodução/Instagram (@adenircarruesco)

A desembargadora Desa Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), publicou um vídeo nas redes sociais nesse domingo (17/5) denunciando um episódio de racismo estrutural vivido por ela dentro de um supermercado. No relato, a magistrada afirmou ter sido confundida com uma funcionária do estabelecimento enquanto fazia compras após uma caminhada matinal.

“Domingo é dia de tirar a toga. Eu fiz a minha caminhada matinal e passei pelo supermercado. Caminhando entre as gôndulas, eu fui abordada insistentemente por uma senhora que queria informações sobre os produtos e sobre a localização dos produtos”, contou.

Segundo a desembargadora, a mulher acreditava naturalmente que ela trabalhava no local.

“Para ela era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la. Mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista. Ela agiu pela lógica, pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou. O lugar natural do preto é o serviço”, afirmou.

No vídeo, Adenir também critica a baixa representatividade de pessoas negras, especialmente mulheres, em cargos de poder dentro do Judiciário brasileiro.

“A lógica diz: ‘Não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz. Preto não é desembargador. Os pretos brasileiros não estão nos tribunais. Basta ver. E a mulher negra menos ainda’”, disse.

Adenir também afirmou que, fora do ambiente institucional e sem os símbolos do cargo, continua sendo vista apenas como “mais um corpo preto”.

“Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal. O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada um domingo de cada vez”, concluiu.

A coluna procurou o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.

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