Mãe é condenada após levar ex ao tribunal do crime por abuso contra filha
O homem ficou 12 dias em cárcere privado, foi torturado por integrantes de facção criminosa e desapareceu. O caso ocorreu em Campinas (SP)

Duas mulheres denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) foram condenadas por participação no sequestro, tortura e execução de um homem em um chamado “tribunal do crime” em Campinas (SP). Uma das acusadas, apontada como ex-companheira da vítima, acionou uma facção criminosa após acusá-lo de abusar sexualmente da filha do casal.
A decisão foi proferida nessa quarta-feira (29/7) e fixou penas de 32 anos e 26 anos de prisão, ambas em regime inicial fechado. Além disso, as rés também não poderão recorrer em liberdade.
Segundo a denúncia apresentada pela promotora de Justiça Yumica Asahara, o caso teve início após uma das condenadas procurar integrantes de uma facção criminosa e acusar o ex-companheiro de ter abusado sexualmente da filha do casal.
Em fevereiro de 2022, o homem e a então companheira dele foram atraídos para uma emboscada sob a justificativa de receber informações sobre o paradeiro da adolescente, que estaria desaparecida. Ao chegarem ao local, os dois foram mantidos em cárcere privado.
As investigações apontaram que as vítimas permaneceram cerca de 12 dias sob o controle dos criminosos, período em que sofreram sucessivas sessões de tortura física e psicológica. O objetivo seria forçar uma confissão sobre o suposto abuso sexual.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEm determinado momento, a mulher foi libertada. Já o homem foi levado para outros cativeiros e nunca mais foi encontrado. Com o desaparecimento, o MP também atribuiu às acusadas o crime de ocultação de cadáver.
De acordo com a Promotoria, a mulher que denunciou o ex-companheiro teve participação direta no planejamento da ação ao acionar a facção criminosa. Ela também teria permanecido no local durante o cárcere e as agressões.
A segunda condenada, conforme a acusação, participou da privação da liberdade das vítimas e das sessões de violência praticadas contra elas.
As duas foram condenadas pelos crimes de homicídio qualificado, cárcere privado, ocultação de cadáver, tortura e associação criminosa. A denúncia também apontou que uma adolescente foi exposta aos crimes praticados pelo grupo.





