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Mirelle Pinheiro

Justiça põe em dúvida venda da Naskar para Azara Capital

Na avaliação do juiz, também permanece ativa, em tese, a estrutura operacional utilizada pelo grupo econômico

30/07/2026 20:37
Arte/Metrópoles
Justiça põe em dúvida venda da Naskar para Azara Capital

A Justiça do Distrito Federal lançou dúvidas sobre a versão apresentada pela Naskar Gestão de Ativos para explicar a paralisação de suas atividades.

Em decisão que converteu em preventivas as prisões de três empresários investigados por um suposto esquema de fraudes, o juiz Aimar Neres de Matos afirmou que as diligências da Polícia Civil colocam em xeque a efetiva concretização da anunciada aquisição da empresa pela Azara Capital.

A prisão de Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato foi revelada com exclusividade pela coluna na semana passada.

Eles são investigados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por suspeitas de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro em um caso que, segundo a investigação, teria causado prejuízo estimado em R$ 1 bilhão a cerca de 3 mil investidores. O esquema foi revelado pelo Metrópoles.

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Na decisão, o magistrado destaca que, após a interrupção dos resgates e pagamentos aos investidores, a empresa divulgou sucessivos comunicados institucionais atribuindo a crise a reorganizações societárias e, posteriormente, à suposta aquisição do grupo econômico pela Azara Capital.

Contudo, ao analisar os elementos reunidos até o momento pela investigação, o juiz afirma que a consistência dessa narrativa passou a ser questionada. Segundo a decisão, as diligências policiais realizadas até agora colocam em dúvida se a aquisição realmente foi concretizada.

O magistrado ressalta que não antecipa qualquer conclusão sobre a legalidade da operação envolvendo a Azara Capital.

Ainda assim, registra que a investigação aponta, em tese, para a possibilidade de a reorganização societária ter sido utilizada como mecanismo para manter a aparência de regularidade do empreendimento e postergar a descoberta da suposta fraude.

Esse foi um dos fundamentos considerados pela Justiça para manter a prisão preventiva dos investigados.

Na avaliação do juiz, também permanece, em tese, a estrutura operacional utilizada pelo grupo econômico, além de diligências pendentes para rastrear patrimônio, analisar equipamentos eletrônicos e aprofundar a apuração sobre o destino dos recursos captados junto aos investidores.

Ao decretar a prisão preventiva, o magistrado ressaltou que a decisão tem caráter cautelar e não representa conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados.

O mérito das acusações ainda será analisado ao longo da persecução penal.