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Mirelle Pinheiro

Justiça aponta “governo paralelo” em empresa de ônibus ligada ao PCC

Segundo decisão da Justiça obtida pela coluna, pessoas sem cargos formais exerciam influência direta sobre a gestão financeira da empresa

25/06/2026 08:23, atualizado 25/06/2026 08:24
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Reprodução
Imagem colorida do vereador Senival Moura, preso durante operação contra lavagem de dinheiro do PCC. Metrópoles

A investigação que levou à prisão do vereador Senival Moura (PT), durante a Operação Última Parada, apontou que a empresa de ônibus Transunião era administrada por uma estrutura paralela de poder. Segundo decisão da Justiça obtida pela coluna, pessoas sem cargos formais na concessionária exerciam influência direta sobre a gestão financeira e as principais decisões da empresa, investigada por suposta lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o juiz responsável pelo caso, foi identificada uma organização composta por indivíduos que “embora não ostentem formalmente posições societárias ou diretivas, detêm capacidade concreta de influenciar a gestão da empresa”. A decisão aponta que esse grupo atuava paralelamente à estrutura oficial da Transunião.

As apurações indicam ainda que a influência desse núcleo extrapolava a gestão administrativa e alcançava a movimentação financeira da empresa. Em outro trecho da decisão, o magistrado afirma que o vereador Senival Moura, apesar de não integrar formalmente o quadro societário da concessionária, surgia “como verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira”, figurando como “instância superior de deliberação” sobre a movimentação informal de recursos.

Segundo a investigação, a análise de mensagens extraídas de aparelhos celulares, documentos e dados financeiros levou os investigadores à conclusão de que parte significativa das receitas da empresa era movimentada por meio desse sistema paralelo, envolvendo pessoas sem vínculo formal com a concessionária.

A Operação Última Parada cumpriu cinco mandados de prisão e 104 de busca e apreensão em São Paulo, Grande São Paulo, litoral, interior e Minas Gerais. Também foram determinados o bloqueio de R$ 194 milhões, o sequestro de bens, a intervenção na empresa Transunião e o afastamento de sua diretoria. Conforme a decisão judicial, os bloqueios podem alcançar aproximadamente R$ 30 bilhões, considerando o universo de contas e patrimônios atingidos pelas medidas cautelares.

A defesa dos investigados não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.