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Mirelle Pinheiro

INSS: PF mapeia rota de dinheiro vivo, imóveis e jatos em investigação

Elementos constam na decisão do STF, que autorizou 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão

04/08/2026 11:45, atualizado 04/08/2026 11:53
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão na residência do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4).

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4/8), apontou que a Polícia Federal (PF) identificou uma complexa estrutura de movimentação patrimonial que, segundo a investigação, envolvia dinheiro em espécie, imóveis de alto valor, empresas e aeronaves particulares.

Os elementos constam da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.

Segundo a representação da PF reproduzida na decisão, os investigadores reuniram indícios de que pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros e estruturas empresariais teriam sido utilizadas, em tese, para ocultar a origem e a destinação de recursos relacionados ao esquema investigado.

A apuração busca esclarecer a origem dos valores, o objetivo dos repasses e a participação individual de cada investigado.

A decisão descreve que o patrimônio analisado pela Polícia Federal vai além de movimentações bancárias.

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Os investigadores apontam a existência de imóveis urbanos e rurais, empresas, aeronaves e outros bens de elevado valor que, segundo a hipótese investigativa, teriam sido utilizados na administração e na circulação dos recursos sob investigação.

Outro ponto destacado é o uso de dinheiro em espécie. Conforme a decisão, a PF identificou registros internos que fariam referência a pagamentos em dinheiro vivo e ao controle de valores fora do sistema financeiro tradicional.

Esses elementos, segundo os investigadores, foram considerados relevantes para compreender a dinâmica financeira do grupo investigado e fundamentaram a necessidade de aprofundamento das diligências.

As aeronaves particulares também aparecem na investigação. Segundo a Polícia Federal, um dos investigados possuía estrutura logística que incluía empresas de táxi aéreo, pilotos e aeronaves privadas, fator que levou os investigadores a requererem medidas para localizar o alvo durante a deflagração simultânea da operação.

Na decisão, o ministro André Mendonça considerou que essa capacidade de deslocamento rápido justificava a adoção da medida para evitar eventual frustração das buscas.

Para a Polícia Federal, a análise conjunta das movimentações financeiras, da aquisição de patrimônio, da utilização de empresas e da logística de deslocamento é um dos pilares da investigação sobre a suposta prática de lavagem de dinheiro relacionada às fraudes envolvendo descontos em benefícios do INSS.

Com base nesses elementos, o STF autorizou o cumprimento das buscas para apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam esclarecer a origem dos recursos, o destino dos valores movimentados e o papel desempenhado por cada investigado.

A decisão ressalta que as conclusões apresentadas pela Polícia Federal representam hipóteses investigativas que ainda serão analisadas no decorrer do inquérito.