
Mirelle PinheiroColunas

Igreja era sede de golpe de pastores ao Mercado Livre. Entenda
O casal de pastores, principal alvo da operação, encontra-se foragido. A ação foi deflagrada nesta terça-feira (9/6)
atualizado
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O casal de pastores suspeito de aplicar golpes que causaram prejuízo superior a R$ 263 mil ao ecossistema do Mercado Livre e Mercado Pago utilizava o endereço de uma igreja para sediar a empresa apontada pelos investigadores como parte do esquema criminoso.
Segundo apurou a coluna, a empresa usada na fraude funcionava no mesmo endereço da Igreja Virtude, localizada no bairro Vila Prudente, zona leste da capital paulista.
Além do casal, outro pastor está entre os quatro presos da Operação Chargeback, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta terça-feira (9/6). Ao todo, a Justiça autorizou oito mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão em endereços da capital paulista, Guarulhos e São Caetano do Sul.
Os principais alvos da investigação, Marley Garcia de Almeida Frades e sua esposa, Aline Lopes Pereira da Silva, estão foragidos, na Espanha.
As investigações são conduzidas pela 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (3ª Dicciber), vinculada à Divisão de Crimes Cibernéticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Civil, o grupo explorava um mecanismo conhecido como “chargeback”, procedimento utilizado para contestar compras realizadas com cartão de crédito.
A fraude começava com a emissão de links de pagamento gerados por integrantes da organização. Esses links eram enviados a pessoas ligadas ao grupo, que realizavam as transações.
Após a compensação dos valores, o dinheiro era rapidamente distribuído para contas de terceiros, dificultando o rastreamento.
Na etapa seguinte, os próprios compradores acionavam as operadoras dos cartões para contestar as cobranças, alegando irregularidades nas transações. Com isso, obtinham o estorno dos valores pagos.
Como os recursos já haviam sido retirados da plataforma e transferidos para outras contas, o prejuízo ficava com o sistema de pagamentos.
Somente em dezembro de 2024, a investigação identificou 27 operações fraudulentas, que causaram prejuízo estimado de R$ 263.512,82. Os investigadores acreditam, porém, que a movimentação real do grupo pode ser significativamente maior.
Os investigados poderão responder por associação criminosa, estelionato eletrônico e outros crimes que venham a ser identificados durante o andamento das apurações.