Mirelle Pinheiro

Igreja é condenada a pagar R$ 95 mil a pastor por vasectomia forçada

Segundo testemunhas, a punição aos que se negassem a se submeter ao procedimento era o rebaixamento para o cargo de pastor auxiliar

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/MPPI
Martelo que simboliza a Justiça - Metrópoles
1 de 1 Martelo que simboliza a Justiça - Metrópoles - Foto: Divulgação/MPPI

A Justiça do Trabalho de Minas Gerais condenou uma igreja evangélica de Belo Horizonte a indenizar um pastor em R$ 95 mil por danos morais. Ele alega ter sido obrigado a fazer uma vasectomia para manter sua posição.

Segundo o pastor, ele foi coagido a se submeter ao procedimento quando tinha menos de 30 anos de idade, sob pena de ser punido por indisciplina.

Duas testemunhas, que também são pastores, confirmaram a realização do procedimento de vasectomia.

Uma testemunha contou que fez a cirurgia e se arrependeu. Ela ainda afirmou ter recebido R$ 700 da igreja para custear o procedimento.

Segundo o relato, a cirurgia era imposta a todos os pastores solteiros, três meses antes de se casarem. A punição aos que se negassem a se submeter ao procedimento era o rebaixamento para o cargo de pastor auxiliar.

Um exame médico anexado aos autos do processo confirmou que o pastor passou pela vasectomia. Diante disso, a indenização foi fixada no valor de R$ 95 mil.

“Montante que considero adequado e proporcional às circunstâncias da lide”, pontuou o desembargador Antônio Gomes de Vasconcelos.

A igreja, que não teve o nome revelado, ainda pode recorrer.

Vínculo empregatício

Além da indenização por danos morais, a Justiça do Trabalho reconheceu o vínculo de emprego entre o pastor e a igreja evangélica.

A empregadora chegou a alegar que não existia relação de emprego, “visto que o pastor evangélico atuou em atividade de cunho religioso”, e sustentou que não houve desvirtuamento da atividade religiosa.

Contudo, ao examinar o recurso, o relator manteve a decisão do juízo da 10ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte nesse aspecto. O pastor exerceu a função de pastor entre 2005 e 2019, com salário mensal de R$ 3,2 mil.

Segundo o julgador, houve desvirtuamento da finalidade religiosa e voluntária, com a presença dos requisitos para a configuração do vínculo de emprego. O relator ressaltou que o fato de a prestação de serviços ter ocorrido em entidades de cunho religioso, por si só, não afasta o vínculo de emprego.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?