Mirelle Pinheiro

Henry Borel: perícia 3D revela detalhes da morte dias antes do júri

O julgamento de Monique Medeiros, e do padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, está marcado para março deste ano

atualizado

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Henry Borel
1 de 1 Henry Borel - Foto: Reprodução/Web

Um novo laudo pericial apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) trouxe à tona novos detalhes sobre os últimos momentos de Henry Borel, morto em 8 de março de 2021, aos quatro anos de idade.

A perícia utilizou tecnologia de reconstrução em 3D para reconstituir a dinâmica dos fatos. O resultado descartou indícios de queda e concluiu que a morte da criança não foi acidental, mas causada por sucessivos episódios de agressões.

O documento, elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), aponta um padrão de lesões externas e internas incompatíveis com acidente doméstico.

O julgamento da mãe de Henry, Monique Medeiros, e do padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, está marcado para o dia 23 de março deste ano. Ambos são apontados como responsáveis pela morte do menino.

O médico perito Fernando Esbérard explica que a tecnologia 3D permitiu ratificar o que a acusação já sustentava desde o início das investigações. Segundo ele, o padrão e a intensidade das lesões não condizem com uma queda acidental.

O laudo reconstrói, no espaço e no tempo, o nexo causal entre a violência contundente e o óbito.

“Depois de tantos anos lutando por justiça, eu não espero apenas um julgamento. Eu espero um acerto de contas com a verdade”, desabafou Leniel Borel, pai de Henry.

Para Leniel, o processo que se encaminha para o Tribunal do Júri não representa apenas uma etapa jurídica, mas a necessidade de responsabilização diante do que define como uma “brutalidade inaceitável”.

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Semanas antes do crime ocorrer, a babá que cuidava de Henry alertou Monique, por mensagem, sobre um episódio em que Jairinho se trancou no quarto do casal com o menino, que depois deixou cômodo alegando dores e mancando
Em audiência, o pai falou sobre os medos relatados por Henry
Quadros pintados após morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em 8 de março
Henry Borel
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Henry Borel

Reprodução/ redes sociais
Semanas antes do crime ocorrer, a babá que cuidava de Henry alertou Monique, por mensagem, sobre um episódio em que Jairinho se trancou no quarto do casal com o menino, que depois deixou cômodo alegando dores e mancando
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Semanas antes do crime ocorrer, a babá que cuidava de Henry alertou Monique, por mensagem, sobre um episódio em que Jairinho se trancou no quarto do casal com o menino, que depois deixou cômodo alegando dores e mancando

Arquivo Pessoal
Em audiência, o pai falou sobre os medos relatados por Henry
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Em audiência, o pai falou sobre os medos relatados por Henry

Aline Massuca/Metrópoles
Quadros pintados após morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em 8 de março
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Quadros pintados após morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em 8 de março

Foto: Aline Massuca/Metrópoles

Mudança na legislação

Para além dos tribunais, a memória de Henry Borel tornou-se um divisor de águas na legislação brasileira. A Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022) foi sancionada após intensa mobilização liderada por Leniel e estabeleceu mecanismos mais rigorosos de proteção à criança e ao adolescente.

“Essa lei não foi apenas uma vitória legislativa. Ela foi o meu luto transformado em proteção para milhões de crianças”, afirma Leniel. O pai acredita que, se instrumentos como esse existissem antes, o destino do filho poderia ter sido outro.

Enquanto o julgamento não ocorre, Leniel encontra conforto na ideia de que a morte precoce de Henry gerou um impacto coletivo. “Henry se doou para salvar outras crianças. Eu vejo meu filho em cada vida beneficiada por essa lei”, conclui. Ele reafirma que, no Tribunal do Júri, espera que a resposta do Estado seja tão firme quanto a resiliência que precisou encontrar para seguir em frente.

O assassinato

Henry morreu em março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Monique e Jairinho respondem por homicídio, tortura e coação. À época do crime, os dois afirmaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.

Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico e alegam inocência.

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